Não Religião

Devorei em cinco ou seis agradáveis jornadas o ótimo Crônicas de Jerusalém, do quadrinhista canadense Guy Delisle. Mais de 300 páginas de divertidos causos vividos pelo autor enquanto sua esposa trabalhava para o Médicos Sem Fronteiras. Com humor, ironia e sem nenhuma pentelhação religiosa o autor e seus traços simples contam o ano vivido em Israel e as loucuras daquele mundo: os muros, os checkpoints, os soldados, os dogmas, a violência. Tudo enquanto cuida dos dois filhos e tenta se adaptar àquele mundo tão louco.

cronicas

Em determinada passagem, ao visitar um bairro ortodoxo, o autor comenta sobre um depósito especial que existe (tipo uma lixeira, mas muito limpa), para depositar livros sagrados que não são mais usados e serão enterrados em um ritual específico. Detalhe observado pelo autor, que associei à nossa cerimônia de queima de bandeiras brasileiras inservíveis: existe uma Lei de 1971 que obriga que isso seja feito com todo protocolo, a cada 19 de novembro, o que não é mais ensinado a ninguém.

Mas depois de associar aquela simples passagem a tanto “pode-não-pode”, restrições, absurdos, barreiras e ao radicalismo descabido ali narrado, fico me perguntando se deveríamos mesmo e, se sim, como fazer essa “volta à moral e cívica”. Aonde termina o patriotismo pueril e começa o nacionalismo exacerbado misturado e influenciado por crenças, e que culmina em morte?

I just wanna stay alive

Eu não tenho nenhuma dúvida em afirmar que assistir essa música do Killing Chainsaw, no BHRIF (Belo Horizonte Rock Independent Fest), ao lado de meu grande amigo Jorge André, em 1994, foi uma das mais transcendentais e inesquecíveis experiências de minha vida. Eu não sei quem eu sou hoje, não sei quem eu era naquele ano, só me lembro de entrar num supermercado imundo ao lado da rodoviária pra comprar um quilo de alimento não perecível e entrar naquele lugar pra ver o Fugazi, que eu mal conhecia e hoje venero. Que eu morra com esse riff me atazanando o cérebro.

A cura para todos os males

Naquela zapeada da preguiça pela TV me deparei hoje com o documentário “A vida até parece uma festa” que conta a trajetória dos Titãs, sem dúvida uma das maiores bandas brasileiras e das que me motivou a gostar de rock. O filme é bem antigo, achei até meio fraquinho, a banda merecia mais, quem sabe ainda role, mas bateu aquela ótima nostalgia. Ótimas lembranças. Quantos shows desses caras eu já assisti, bebaço, com os parceiros, em roubadas, enfim, vivendo meus 80’s/90’s.

Daí que quando ligo o computador, ainda naquela vibe nostálgica, vejo que no Record Store Day desse ano saiu o vinil de Just Like Heaven, uma das melhores músicas de todos os tempos, com o Cure de um lado e a versão torta e linda do maravilhoso Dinosaur Jr de outro.

Homem não chora é o caralho.

Tenho coração

Nunca entendi bem essa gente straight edge. Qual é a desses caras que tocam um puta hardcore, mas não bebem nem uma cervejinha? 🙂 Mas guardo com carinho meus CDs do Self Conviction, do Point of No Return, meu cartaz do Verdurada. E hoje, naquela passada pelo sempre fantástico Hangover Heart Attack, me deparo com esse Have Heart, apenas mais uma banda maneira de hardcore certinho (a galera conversando na boa com o policial em cima do palco é demais!). Good vibes total!!

Cervejando no Chile

Dia 1: depois de passar a madrugada no Aeroporto do Galeão e da sempre tumultuada conexão em Guarulhos, onde aproveitamos para trocar dólares por pesos chilenos (o que não vale a pena, já que é preciso pagar duas taxas de conversão, de 32 reais cada), chegamos ao bem organizado Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez onde o controle na migração foi bem rápido e o Duty Free não pareceu interessante. Já éramos esperados no guichê da Transvip, onde já havia feito uma reserva por email. Foi um pouco mais caro, mas valeu pelo fato de não precisar negociar com os afoitos taxistas e o tranquilo trajeto de 20 minutos num Hyundai Sonata muito confortável. Nos dirigimos até a Huérfanos, onde ficamos no San Ignacio Suites. Na chegada não há nenhuma indicação de que estamos no local certo, afinal trata-se de um enorme complexo de mil apartamentos, entre moradias e apart hotéis. Um responsável já nos aguardava, o pagamento foi realizado todo de uma vez e as acomodações agradaram. O calor e cansaço nos impediram de explorar melhor o centro e depois de um passeio pelo Paseo Haumada e do almoço num restaurante bem simples (churrasco ao pobre, é esse mesmo o nome :-), o bom e velho bife com batata frita, acompanhado do garçom mau humorado do Nuria, fomos ao supermercado comprar gêneros para abastecer “nossa casa”, já que a estadia não contempla café da manhã, mas o apart tem tudo, só sentimos falta da cafeteira.
Cervejas do dia: Escudo e Becker, duas lager comuns, mas a primeira surpreendeu positivamente.

Dia 2: após uma noite bem dormida partimos pra canelar pelo Centro. Engraçado como o Chile acorda tarde, por volta de 09:30 os cafés ainda estão cheios e as lojas quase todas apenas abrindo. Tomamos um expresso num dos “café com piernas”, lojas da rede Haiti onde as atendentes estão sempre de minissaia. No nosso caso, infelizmente, as pernas eram bonitas, mas o rosto … Decepção grande foi encontrar a Plaza de Armas fechada para reformas, totalmente cercada e sem acesso. As obras começaram no início de janeiro e a previsão é de seis meses de reforma. Pena. Os muitos prédios históricos no Centro são bonitos e nem tão bem conservados. Uma caminhada pela Libertador, e chegamos ao Cerro Santa Lucía, local muito bacana e que nos presenteia com uma belíssima vista da cidade. Quem der mais sorte pode ver melhor os Andes, o tempo não nos ajudou. Mais uma caminhada pelas calçadas cheias de gente e de bicicletas (muitas, mas quase não há ciclovias), passando pela enorme Biblioteca Nacional, e chegamos ao Bela Vista, bairro de grande agito cultural, muitas universidades e badalação, com muitas opções de restaurante. Seguimos ao Funicular, espécie de bondinho que, por 2 mil pesos por pessoa, nos leva até ao ótimo zoológico e ao Cume, com uma igreja muito bonita e mais uma linda vista da cidade. Aproveitamos para experimentar o “mote com hesillas”, espécie de caldo de cana para os chilenos: colocam dois pêssegos em um copo com suco de pêssego e milho. Fica muito doce, mas estava bem gelado. Descendo, percebemos que os restaurantes que ficam fora do Pátio Bella Vista, shopping ao ar livre com ambiente chique, devem ser melhor opção, já que a nossa conta no Backstage foi muito salgada: pastel de choclo (massa de milho), empanada e duas cervejas africanas de 600 ml cada por 90 reais. Só valeu pelo ambiente bacana. Seguimos para La Chascona, uma das casa do escritor Pablo Neruda, mas o cansaço e a vontade de ver a outra casa dele fez com que não entrássemos (400 pesos por adulto). Optamos pelo trem para voltar: a estação Baquedano é central e tumultuada, o valor do bilhete muda após as 18 horas (compramos às 17:59 e ficamos presos na roleta, um funcionário quebrou o nosso galho).
Cervejas do dia: Tusker, queniana (indicação do garçom segundo o qual “os brasileiros sempre preferem cervejas mais leves”, Royal Guard, lager premium simpática, Stella Artois de lata (nunca vi no Brasil), a tradicional Quilmes argentina e uma Austral Pale Ale bem boa.

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Dia 3: Concha y Toro: ir ou não ir? A temida “horda de brasileiros” versus vários relatos positivos e a fama mundial. Vamos. Trem muito cheio na estação Baquedano nos fez mudar para outra rota, mas no fim dá no mesmo. Quase uma hora de uma viagem normal mas agradável pelo subúrbio de Santiago até a estação terminal de Ponte Alto mais dez minutos de táxi e cá estamos, confirmando na entrada a reserva feita por email. Tour em português para uns 20 brasileiros, guia agradável, local bonito, visita a duas adegas, historinha em vídeo do Casillera Del Diablo e duas degustações, por um preço justo. Não fossem os 15% de desconto para os vinhos degustados (não é minha praia, mas gostei dos três: Trio, branco, Gran Reserva e Casillera Del Diablo, o mais famoso da marca) e não valeria a pena comprar na lojinha, mas optamos por aproveitar o desconto. Dividimos o táxi com um casal de brasileiros e voltamos diretamente para o hotel, por causa do peso das garrafas. Descanso rápido e partimos para o Mercado Central, sem nenhum grande atrativo, com o característico cheiro de peixe, mas boa oportunidade para conhecer os mariscos chilenos. Fomos de loco (gostoso, servido frio) e salmão ao molho de camarão. O restaurante escolhido, Donde Augusto, ocupa grande parte do Mercado e é quase uma escolha óbvia. Preço apenas razoável, mas é o tipo de ambiente que gosto.
Cervejas do dia: Kunstmann Torobayo, pale ale bem consumida no Chile, Del Puerto Rubia, outra pale ale mais ou menos e Kross Maibock, lager forte e boa.

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Dia 4: Missão: conhecer Valparaíso e Viña Del Mar num bate-volta. Após a confusão no dia anterior na estação Baquedano, trocamos de linha e chegamos tranquilos à estação Universidade Santiago, onde fica o terminal de buses. Fomos abordados por uma agência de turismo que nos ofereceu um passeio que sairia mais barato que as quatro passagens (ida e volta). Resolvi manter a programação e após pagar 2200 pesos seguimos por uma hora e meia, por uma bela estrada até o terminal de Valparaíso, uma cidade característica, cheia de morros, bem povão, mas interessante. Ao lado da estação tem o imponente prédio do Congresso chileno. Seguimos a pé para La Sebastiana, uma das casas de Pablo Neruda, mas não foi uma boa ideia. Como o ascensor (espécie de bondinho) não está em funcionamento (são vários na cidade, mas a maioria não está), a caminhada foi longa e desgastante. Valeu a pena pelo lugar muito interessante, com audio guia em português e belo visual do Pacífico. Pedimos um taxi e por 7 mil pesos, e através dos morros chegamos ao Museo Naval, visita barata e muito interessante, com toda a história da Armada Chilena e onde está exposto uma das cápsulas que retirou os chilenos presos na mina em 2010. O artesanato na 21 de Mayo, em frente, é um pouco melhor, mas ainda assim sem nada interessante. Seguimos a pé até a Plaza Soto Maior, onde fica a estação do Puerto. Lá, no dia seguinte, seria feita a premiação do Dakar 2014 (sim, eu perdi 😦 Até Viña são umas cinco estacoes de um metrô muito bem cuidado. Descemos na estação anterior à central de Viña, e fomos conhecer o interessante Castelo Wulff e o enorme Casino. Mais uma vez um belo visual do Pacífico. A caminhada dali até as praias foi cansativa, passando por muitas barracas populares e alguma sujeira. Paramos para comer algo numa barraquinha (a empanada estava bem boa) e já estava na hora de retornar, porque nossa passagem de volta já estava comprada. Como não vimos taxi, arriscamos um ônibus que, embora cheio e calorento, nos deixou tranquilo no Terminal de Buses. Em Santiago, comércio já fechado, fomos jantar no Donde Guido, o filé da casa estava ótimo, recomendo.
Cervejas do dia: Cristal, uma lager bem comum e muito consumida lá e a mexicana Corona Extra. Ambas foram bem com o grande calor do dia.

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Dia 5: a ideia era acordar tarde, tomar café na rua, se empaturrar de guloseimas. Nesse último quesito não chegamos a tanto, mas foi bacana comer medialunas doces e salgada, cortado e juco de pina em um simpático café perto do Museu de Belas Artes. Aproveitamos para conhecer melhor o Museu e ainda vimos, no lado de fora, uma exposição de fotos com crianças com síndrome de Down com os “modelos” presentes junto às fotos, muito bacana. Seguimos caminhando pelo centro histórico, entramos na bela Biblioteca Nacional, no Centro de Artesanato da Santa Lucia (melhor opção para lembranças) e no entorno do Palácio La Moneda, sede do governo, onde pudemos entrar depois de criteriosa revista. Após isso pegamos o metrô e fomos conhecer o Bairro Providência e adjacências, tudo muito chique. Lá encaramos o gigantesco Costanera Center, recém inaugurado e tido como o maior shopping da América Latina, com lojas que não existem no Brasil e preços não muito abusivos. E foi “só”.
Cervejas do dia: A sempre ótima alemã Beck’s, lindamente consumida quando paramos para matar a sede na Providência, uma Austral Calafate no shopping, sazonal e feita de uma frutinha argentina, Salzburg, bacana, e Paceña, uma boliviana legalzinha.

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Dia 6: principais atrações vistas, optamos por dar uma volta pelo centro, fim de semana tranquilo e com muitas bicicletas nas ruas, o elevador do Cerro Santa Lúcia perto do hotel e umas lembrancinhas, no Museu de Belas Artes e no Mercado Central. Resolvemos conhecer o Parque Bicentenário, no chique bairro de Vitacura. Depois de algumas estações de metrô e uma boa caminhada por avenidas largas e cheias de prédios enormes, chegamos ao Parque, muito bem cuidado, grande e agradável, onde fica um prédio gigante e estiloso do Banco do Chile. Almoçamos por lá mesmo, no Mestizo, ambiente bacana, chique sem frescura. O côngrio estava gostoso, brasileiros puxando papo sobre futebol, fim de tarde no parque. De táxi voltamos ao Costanera para as sobremesas, por causa de lojas que não temos aqui, como Fredo e Cinamon. Restou um gás para, depois de mais um pouco de metrô, conhecermos o Bairro Brasil, com a Praça cheia de gente, uma homenagem a Jobim inaugurada por FHC, muito descuidada, e barzinhos mais pé-sujo (estava sentindo falta 😁), onde arrematei uma Escudo de litro, tampa de plástico e de rosca! Finalizamos no The Clinic, mistura de bar temático, loja de disco, exposição de arte, ambiente incrível, dica do MAC, editor do screamyell. Mojito, chopp Stella Artois e rock’n’roll! Hora de voltar pro hotel, arrumar as malas e diminuir o peso, esvaziando uma garrafa de vinho.
Cervejas do Dia: Szot Amber Ale, ótima, e Negra Modelo, bem boa.

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Dia 7: volta sem problemas, tranquilo. Valeu demais Chile, Sur del Mundo!!

Voice over

O programa mais incensado no momento na moribunda TV nacional é o tal de The Voice, nada além de mais uma versão de um programa de sucesso em TVs de outros países. Um programa de calouros chique, com muita produção pra esconder a mediocridade. Mas o que me incomoda demais é o fato dos “artistas” apenas regurgitarem pela enésima vez o remexido baú de sucessos (…) do passado. Nada de novo. Não vivi a época dos Festivais Internacionais de Música, mas as tretas com o governo na época foram um marco na música nacional. E que caberiam muito bem hoje, já que estamos, teoricamente, lutando por direitos (alguns deles novos). Que tal um Festival de “novos cantores”, que apresentasse algo realmente novo? Boas músicas novas, é pedir demais?

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Tá fácil pra ninguém

Teólogo diz que Jesus foi uma ficção criada por aristocratas romanos

Cidadãos alertas precisam saber a verdade sobre nosso passado para que possamos entender como e porque governos criam falsas histórias e falsos deuses. Isso é feito, frequentemente, para obter uma ordem social que vai contra os interesses do povo comum

Neurologista acredita que o amor é produto de neurônios lentos

neurônios lentos podem ser responsáveis pelo sentimento que conhecemos como amor. Por consequência, essas células também seriam as causadoras da tendência que humanos tem de formar famílias baseadas em relações monogâmicas, ao contrário de 90% de outros mamíferos.

Punk inocente

Hoje uma amiga me mandou esse post sinistro no Buzzfeed: 23 Pieces Of Evidence That Punk Is Dead. A velha história do punk morreu. Moicano de perna-de-pau pagodeiro, putz. Como eu não sei se o punk nasceu, depois de ouvir milhares de banda assim rotuladas, ler vários livros e assistir muitos documentários sobre o assunto, consolo-me ouvindo Os Estudantes, por exemplo, ou divulgando, para quem ainda não viu, o mini documentário do Inocentes, das primeiras punks desse país, que já tocou no Bolinha e na Mara Maravilha. Ou seja, filhos, o assunto é batidão (entenda como quiser …)

Magrelas

Hoje é o Dia Mundial Sem Carro. Tá, essas datas têm muito pouca efetividade, são ideias marketeiras que não atingem seu propósito no Brasil. Sem carro? No Brasil? Que tem um carro para cada cinco habitantes? Difícil. O estresse do trânsito, a falta de educação do motorista (que não conhece nada do Código referente a carros, imagina a bikes – carregue consigo) e falta de infra pra pedalar não combinam com “sem carro”. Mas vale a pena tentar, você pode ficar viciado como o velhinho dono da Giant, que pedala 40km todo dia, ou pode simplesmente conhecer uma grande opção de mobilidade. Hoje pedalo 12 km todo dia, no deslocamento casa-trabalho e sou bem feliz com isso. Sem carro.

PS: ainda não vi essa “seta para bicicletas” por aqui, ótima ideia.

Rock in Rio de ú é ola

Quando Chuck Berry pendurou naquele piano, alguns meses antes de Elvis ser reprovado num teste da Stax, e criar o único estilo realmente mundial da música, ninguém poderia imaginar que WASP americanos seriam aplaudidos por uma multidão de terceiro-mundistas paspalhos que aplaudem o cara que denunciou o MP3, ou o que disse que seu pau é “um supremacista branco”. Abramos nossas fendas para o lixo americano!