O elefante e o macaco

Música o tempo todo. Na sala, no PC, no trabalho, no busão. Música. Mas o que pega mesmo é prestar atenção no som, ouvir com calma, apreciar a banda, escolher a música certa para o momento certo. Mas na hora daquele trampo sério? Pra não perder a concentração, rock instrumental!

Pata de Elefante é um trio gaúcho com uma sonoridade mais 60’s/70’s, surgida em 2002 e com dois discos lançados: Pata de Elefante e Um olho no fósforo e outro na fagulha, este último pela sempre incrível Monstro Discos. Vai aí um vídeo muito lindo com belas imagens de PoA.

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Macaco Bong também é um trio, de Cuiabá – MT, e arrepia com um som mais pesado, também num estilão Hendrix. “Artista igual pedreiro” é o atual trabalho dos caras e, claro, tem na Monstro.

macaco

Abaixo à música de elevador! Keep the amps screaming!

Hold Steady

Keep Strong. Be Cool. Stay Positive. Era assim que eu costumava terminar minhas cartinhas, cheias de flyers dentro, que eu trocava com as bandas legais em tempos idos. Tempo de xerox, papel e cola, carta social, demo tapes. Saudade das cartas do Giuliano Low Dream, do Junior White Frogs, Rodrigo Dead Fish, da galera de Curitiba (quem não ouviu Pinheads não conheceu o melhor do rock já feito aqui). Bem, passando pela sensacional Pitchfork TV, eu me deparei com o Pitchfork Music Festival ’08, em que uma das bandas que tocaram foi o bacana Hold Steady. Na faixa “Stay Positive” tá lá: Cuz most kids give me credit for being down with it, When it was back in the day, back when things were way different, When the Youth of Today and the early 7 Seconds, Taught me some of life’s most valuable lessons (…) We gotta stay positive”
Você pode nunca ter ouvido Youth of Today ou 7 Seconds, mas pode acreditar que essas foram bandas que realmente tinham o que dizer. Mensagens positivas. Na boa, chego a me emocionar …

Eu sou um velho saudoso

“… o toque final é nunca levar o mosh pit muito a sério ou entrar nele com más intenções. Não interprete certos movimentos como briga porque assim a pancadaria realmente rola. Nada arruína mais um mosh do que uma briga, e não é isso que o mosh é. Não importa o quanto você fique arrasado depois. Cansado, mas feliz. A propósito, boas músicas para “moshar”: Nirvana, Faith No More, Chili Peppers, Mudhoney, L7, Soundgarden, Pavement, Pixies ou qualquer coisa que o ajude a queimar energia e soltar boas vibrações”

Do Rio Fanzine, de Tom Leão e Calbuque.

Bons tempos, bons tempos.

Eu tava lá

Presenciar uma banda no seu auge. O espírito do rock’n’roll. Voltar pra casa com os ouvidos zunindo. Tá, o ingresso custou 80 reais, o lugar não era nada rock, a cerveja custava 5 reias (em lata!), era uma segunda-feira, tava frio, era longe de casa. Sei lá, eu até sou um velho careca, mas definitivamente algumas coisas nesse mundo ainda me causam aquela inenarrável sensação. O rock, meninos, o rock.

“Because you got it all, you got it all, you got it all, but you got it all wrong” – passa na minha rádio, ouça Hives e seja feliz.

Eu não sou daqui

Seria cômico se não fosse trágico: No Euro 2008: aquele exemplo de organização, gramados e estádios impecáveis, gente linda nas arquibancadas e, claro, grandes jogos entre aqueles que nós costumávamos chamar de brucutus, retranqueiros, “cintura-dura” e por aí vai. Fantástica cobertura pelo site e, incrível, quem já parou pra prestar atenção nos hinos das torcidas? Músicas de Oasis, Franz Ferdinad e Libertines cantadas em uníssono pela galera com suas pints na mão. “Seven Nation Army” o já clássico dos clásicos do White Stripes pode ser ouvida a qualquer momento. Lindo. E as Euro Girls? Quanta inveja.

Enquanto isso, na terra do futebol, dos craques, dos melhores do mundo: um esquecível e entediante BRA x ARG. O meio-de-campo mais medíocre da história da amarelinha e, pior, a morte definitiva: show de Jota Quest no intervalo e a galera cantando a Ivéti. Que mal eu fiz a Deus?

Mas nem tudo são espinhos, afinal a moçadinha sabe o que é bom e continua amando a Nação!;-)

Vista verde

Não, não é uma chamada pra alguma causa ecológica, tampouco o anúncio de uma versão vegan daquele sistema operacional metido a besta e que ninguém liga. É que hoje é dia de São Patrício e, diz a lenda, se você não estiver vestindo verde pode levar uma beliscada. A coisa fica boa na Irlanda, com muita Guiness, mas na impossibilidade vai mesmo uma pilsen nacional ao som da banda que mais combina com Irlanda e cerveja nesse mundo: Dropkick Murphys!

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De nunca estar no lugar certo

Fui lá no UOL na terça-feira tentar assistir ao show do Interpol em São Paulo. Mas aquela telinha, aquela qualidade de áudio, no way, botei o Banshee pra tocar o Antics e o Our Love to Admire, dois álbums dessa ótima banda e fiquei imaginando estar lá, no meio da galera, que era o lugar onde eu queria estar. Não deu. Assim como eu também não vou ver o Datsuns, o New York Dolls e, não acredito, o Bad Brains no Abril Pro Rock. Cara, o Bad Brains! E pensar que a última grande atração internacional em Porto Alegre foi o Iron Maiden (ai).

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Software livre, idéia livre

Elephant’s Dream foi o “primeiro ‘open movie’ do mundo, feito inteiramente com ‘open source graphics’, como Blender, e com todos os arquivos usados durante a produção disponibilizados sob uma licença Creative Commons.”

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Iniciativa das mais louváveis, lógico, apesar de que o filme era doidão demais: 11 minutos de belos gráficos e uma estória meio sem-pé-nem-cabeça. E já está na praça o mais novo filme realizado sob as mesmas condições: Big Buck Bunny está previsto para março de 2008, e com 34 euros você pode comprar o DVD e ajudar o projeto.

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E se o assunto é mídia+software livre, você também pode ajudar a fazer o novo videoclipe do R.E.M: a música Supernatural Serious, do próximo álbum, Accelearate, tem um site em que você pode mixar as partes e divulgar o resultado no You Tube. Se a banda já não é mais a mesma dos áureos tempos de Murmur, Document e Green, e se a iniciativa não é tão radical (nem inédita) quanto à do Radiohead, não dá pra deixar de citar mais esse bem-vindo exemplo “colaborativo”.

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Crust core

Da Wikipedia: “Crustcore: associado à cultura da segunda geração anarcopunk (ecologia, anarquismo, pró-libertação animal), se assemelha ao grindcore no extremismo mas diminui consideravelmente a influência das estruturas musicais do doom metal.” E uma banda com o nome de Crustina Aguilera não pode ser ruim!

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Quero descer desse mundo de velhos (de espírito)

Não, eu definitivamente não acredito. Dá uma olhada nas primeiras colocadas no ranking das 500 mais da Kiss FM: 5º – The Beatles – Help!; 4º – Deep Purple – Smoke on the water, 3º – Pink Floyd – Another Brick in the wall, 2º – Led Zeppelin Stairway to heaven, 1º – Queen – Bohemian Rhapsody; Não é possível, vou procurar um pouco mais, dar uma olhada mais pra frente: Eagles? Rush? Dire Straits? Tá, eles venceram. November Rain foi a mais nova que eu achei. Eu fiquei louco, essa matéria deve ter uns 15 anos. Não? Deprimente, eu acho. Curioso, no mínimo. Nunca foi tão fácil procurar (e achar) novas e ótimas bandas nacionais e gringas, de todos os estilos, e a moçada ouvindo essas coisas jurássicas. Quando eu vejo minha prima de dezoito anos toda empolgada com o acústico do Ultraje a Rigor, é porque definitivamente algo está errado nesse mundo. E essa tal de Kiss até aparece numas listas de “mais populares”. Até a Ipanema FM, que eu considerava um oásis no dial, tem o seu “Atari Hits”, uma coleção das mais insuportáveis e remexidas músicas dos 80 e 90 (e eu adorava Atari). Acorda minha gente, estamos no século XXI, sabiam?

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Goiânia é o local para se estar nesse fim-de-semana

Começou a 13ª edição do Goiânia Noise Festival. Com as ótimas atrações nacionais de sempre, o festival capitaneado pelo pessoal da Monstro Discos, terá ainda o sensacional The DT’s (confirmando a grande parceria dos goianos com o pessoal da Estrus) e, para fechar, duas das melhores bandas da história desse país: Mundo Livre S.A. e Sepultura (que estará capenga com essa formação cavaleras out). Se você, como eu, não vai estar lá, confira aqui as atrações (com links para myspace, tramavirtual, etc).

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Lyrics that matter III

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“There must be a place the preacher say “I guess”
But a drifter will tell you no place is best
Shout for all the people who have nothing to say
`Cos were only gone tomorrow and here today”

Album: No. 10 Upping St., 1986

Banda: Big audio Dynamite

Música: V-Thirteen

Autores: Jones/Strummer

Rock style

Vê aí se essas coisas te dizem algo:

  • Anti-slogan
  • Pro Nothing
  • Mentalidade open source
  • Co creation
  • Conteúdo gerado pelo consumidor

Sim? Compre uma camiseta rock’n’roll nessa loja (juro que eu não ganhei nada com isso)!!!

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