O Kid, o Chris e os caras que não deviam morrer

Eu não sei se eu seria a mesma pessoa se não fosse o Kid Vinil. Depois de viver o boom do rock nacional dos anos 80, ir a muitos shows e, enfim, estar dentro daquele furacão, me pego, ali na virada de década, meio sem rumo, querendo continuar ouvindo músicas legais, e novas, me recusando a aceitar que as rádios já tinham enjoado do rock. Havia a Bizz, a Flu FM, eu comecei fuçar o underground, ler fanzines, descobrir os indies, as guitar bands brazucas. Eu queria o rock, eu queria conhecer cada vez mais aquilo. E, sei lá quando, descobri que aquele cara que cantava “Eu sou Boy”, que parecia só mais um Doutor Silvana, um Léo Jaime mais excêntrico, era, sim, uma enciclopédia ambulante, um colecionador de discos, um radialista e DJ carismático, o nosso John Peel. Passa o tempo, e só com a maravilhosa internet volto a, não sei quando (de novo, lesado e velho), descobrir o velho Kid e seus programas na 89 FM, 107 FM, Brasil 2000. Lá estava ele tocando, com o mesmo tesão, uma banda progressiva dos sixties ou a mais nova sensação da Nova Zelândia. Um amante do rock que eu admirei, que segui, que bati um papo no Record Store Day em 2015. Um puta cara.

E nesse meio tempo entre a morte do rock brasileiro dos 80 e minha sanha por não abandonar aquilo de jeito nenhum, houve o tal do grunge. A flanela, a distorção, os malucos daquela cidade feia. Acho (sei lá novamente) que Hunger Strike foi meu segundo grunge, depois de Smells like teen spirit. Caralho, que voz é essa? Quem é esse maluco? E lá estava eu, descobrindo o Soundgarden, virtuosa banda naquele cenário distorcido. Na minha humilde e desnecessária opinião que ninguém pediu Mark Lanegan ainda é o maior vocalista daquela cena. E o único que ainda não morreu. Mas essa música aí embaixo é uma das que me fez amar essa banda e seu puta vocalista.

Anúncios

Música sempre vida

Engraçado. Uma matéria da MTV que fala que as pessoas deixam de ouvir música nova aos 33 anos. E um incrível documentário que mostra como a música pode transformar a vida de idosos com doenças cerebrais.

Não faço absolutamente parte dessa maioria abordada na interessante matéria encomendada pelo Spotify, que destaco alguns trechos:

Em 1996, a jornalista Ana Maria Bahiana questionava: “Será que mais uma geração caiu nas garras da arteriosclerose do ‘classic rock’, cujo sintoma mais grave é essa mania de ouvir apenas o que já foi ouvido antes, e sempre cobrar de seus artistas favoritos que eles não mudem nunca?

Um ouvinte de 16 anos tem tanto a se beneficiar com uma audição de ‘A Nod Is as Good as a Wink’, dos Faces, quanto um de 55 do disco do Kula Shaker

O choque do novo fará você pensar, fazer conjecturas, ligações (“Isso soa como algo que eu ouvia” ou mesmo “nunca ouvi algo assim, mas é legal”) movimentando seus pensamentos

Como um irreparável caçador de novos sons, um discípulo de John Peel, para quem “a melhor música é aquela que eu ainda não ouvi”, posso recomendar o Ouve Essa, programa da 89 FM, capitaneado por Ricardo Alexandre. Música nova. E boa, lógico, que é o que interessa.

Alive Inside: listen to your heart

Alive Inside: listen to your heart

E sobre o filme Alive Inside, disponível atualmente no Netflix, escolhido da audiência em Sundance, a constatação, pra mim óbvia, do bem que a música faz à nossa mente, associando lembranças, trazendo memórias boas. O projeto consiste em colocar pessoas com problemas como alzhmeier em contato, via fones de ouvido, com músicas que marcaram sua vida de alguma forma. E é emocionante como os velhinhos reagem ao estímulo que aquele som causou no seu cérebro, retornando um sopro de vida, causando efeito que nenhum remédio consegue.

A conclusão é de que nossa mente precisa disso: associar música e curiosidade! O filme encerra com esse belíssimo som, hippie total, mas é de 2012 🙂 do Edward Sharpe and the Magnetic Zeros: I wanna know what we’ve been learning and learning from

Novas Tendências

Outro dia, aí embaixo, homenageei o grande Maurício Ronca-Ronca Valladares. Um cara que me deu um norte na vida. E o incrível é que hoje, dando uma olhada nas novidades do ronquinha, vi o Maurição reverberando a estreia do novo programa do José Roberto Mahr na Cidade FM. Como assim? José Roberto Mahr? Cidade FM? Que teletransporte é esse que me carrega de volta ao início dos 90, mais precisamente ao dia que fui ao estúdio da rádio conhecer o grande DJ e faturar a promoção que tava rolando, camisa e poster do filme dos Doors. Ali na minha frente o grande Zé Roberto que eu já acompanhava há muito na Flu FM, responsável pelo programa que fez minha cabeça por tanto tempo. Precisamente hoje estava lá com o PC ligado para acompanhar a estreia que, claro, não decepcionou: o homem já abriu com Tame Impala, já tocou Temples e Royal Blood, mostrando que a antena continua ligada nas novas tendências. Teve um Quasi pra relembrar os emblemáticos 90’s e nesse momento já tá, assim como fazia no século passado, tocando a sessão “rave-techno-electro-dançante”.

zerodb

Pô véio que viagem boa.

Ronca Ronca

Esse post é uma singela homenagem ao programa Ronca Ronca, do DJ e fotógrafo Maurício Valladares. Hoje sendo reverberado pela Oi FM, o programa completa, na atual casa, 100 edições e nesse exato momento estou ouvindo a edição comemorativa, que está sendo feita com as listas, enviadas pelos ouvintes, das 20 músicas preferidas d’A Tripa, alcunha dos “seguidores” do grande Maurição, ativo nas ondas do dial desde sei lá quando. São 21:31 e está tocando “só” Fake Plastic Trees, do Radiohead (mas já tocou Nelson Cavaquinho, e essa é a graça do programa).

Se foi o Mack Twist da Fluminense FM que me ensinou a gostar de hardcore e rap, se foi o DJ José Roberto Mahr que me apresentou, também na Flu, o britpop, o trance, EBM, o indie enfim. Se Tom Leão, Rodrigo Lariú, os caras com quem troquei cartinhas cheia de flyers dentro (notadamente Rodrigo Dead Fish e Juninho White Frogs) foram caras importantes para a minha colação de grau no tal de rock’n’roll, posso dizer, sem dúvida, que foi o Ronquinha que me abriu os ouvidos para tudo, para tudo que é autêntico, casca-grossa, cabeleira-alta, inoxidável.

Por aqui minha mulher e meu filho já sabem de cor as vinhetas do programa (marca registrada), afinal o Ronca, agora disponibilizado em podcast, é praticamente o único som presente no carro: seja levando o filho a escola, seja numa viagem de quatro horas.

Obrigado Maurício, obrigado mesmo cara!

Link para o download do programa

mauval

Maurição, foto do site Rock em Geral

Alegria do povo

Em tempos que Tiago Neves é tratado como craque e é leiloado freneticamente por administrações amadoras que não conseguem esconder suas incapacidades, em que Telós e breganejos universotários invadem o dial corrompido de nossas rádios, soa-me como bálsamo dar de cara com isso na Rádio Câmara: Em 1983, morreu Garrincha, o melhor representante do futebol arte. A música é Cadeira Vazia, com Elza Soares, a que ele mais gostava de ouvir ela cantar(07’10”).

Ah, o rádio

“O rádio tem sido muito importante para mim em vários períodos da minha vida. Ouvindo ‘Don´t go breaking my heart’, com Elton John e Kiki Dee, ou solo com ‘Tiny Dancer’, no carro de minha mãe e imaginando quantos belos sons foram feitos. Ouvindo os Ramones, The Clash, X, Devo, B-52´s e Talking Heads na KROQ quando tinha 9. Ouvindo The Gems, The Cramps, The Weirdos, The Circle Jerks e Black Flag no (programa) Rodney on the Roq, de Rodney Bingenheimers, com 9, 10, 11 e 12. Deitado no escuro à noite com meu rádio/gravador de K7, ouvindo o mais baixo possível, pois eu deveria estar dormindo, gravando todas as minhas músicas favoritas do programa de Rodney, às vezes gravando o programa todo. Gravando ‘I feel love’ de Donna Summers, com 13 anos, e percebendo a maravilha do som estereofônico, o primeiro hit completamente eletrônico, imaginando como uma música daquelas teria sido feita (…), ouvindo REM e Radiohead e sentindo que o rádio era minha única companhia (junto com minhas fitas k7 do Bob Marley e dos Butthole Surfers). O fato de muitas de nossas músicas terem alcançado as pessoas pelo rádio é algo do qual me orgulho muito.”
John Frusciante

Rá, uma mudança aqui e outra ali e podia tá sendo eu e não o grande Frusciante a falar isso.

Desse post do MauVal

Coisas boas da vida

Tarde de sábado. Relax. Uma passada com calma nos feeds que realmente importam. Aqueles que eu não leio durante a semana porque sei que tenho que prestar atenção, quero ler com calma, curtir. Entre eles o RoncaRonca, do MauVal. Programa de rádio, amigo. E rádio é uma parada muito foda.

E lá, no meio de tanta coisa legal, duas pra chorar. Relembrar os velhos tempos que A Corrente de Jesus e Maria dominava o mundo. O Jesus, a banda da minha vida.


A lista dos melhores do ano na New Musical Express, em 85. Procurando coisa boa pra baixar?

E a outra o fantástico e finado Joe Strummer, citado num post em que um ouvinte cita o Unwritten Law, , filme que eu já tinha falado num post sobre grandes filmes punk. Quando o MauVal me veio com isso:

Emocionante.