Música instrumental de primeira qualidade: The Dead Rocks.”Rock is dead but still rolling”
Categoria rock
Geléia de pérola
Nas ondas (digitais) do rádio

Já disse por aqui que gosto muito de rádio. Passei minha infância ouvindo os comunicadores das Rádios Globo, Tupi, Nacional, Tamoio, Eldorado, etc. Tenho saudade das tardes em que ficava fazendo o dever-de-casa trazido do Colégio São Vicente de Paulo enquanto ouvia o bate-papo com as donas-de-casa, horóscopo e tal. Algum tempo mais tarde veio a Fluminense FM, que formou meu gosto musical. Na rádio niteroiense, destaque para o Mack Twist (punk rock, skate) e o Novas Tendências com José Roberto Mahr (uma hora de indie, uma hora de sons mais eletrônicos). Não perdia um: toda quarta-feira estava eu lá, sentado no único canto da casa em que o sinal não fugia toda hora. Bem, os tempos são outros e, felizmente, a revolução digital mudou mas não acabou com meu sauável hábito de ouvir rádio. Cá estão endereços recomendados:
Estou feliz por morar em Porto Alegre porque, ao contrário do que acontecia antes, não preciso colocar um CD pra tocar assim que eu acordo. Agora é só ligar o rádio em 94,9, ou acessar o site da Ipanema FM. Para lembrar dos velhos comunicadores e saber das notícias do futebol do Rio de Janeiro: Globo AM RJ, Super Rádio Tupi ou Rádio Haroldo de Andrade.
Para o nosso bom e velho rock’n’roll: No site da rádio Oi FM, o sensacional programa “que orienta desorientando”: o Ronca Ronca de Maurício Valadares. E o que acontece de novo e que realmente interessa está na essencial Radio One da BBC de Londres.
Pra escolher o que você quer ouvir, experimente o radios.com.br. O assunto é muito extenso e eu recomendo que você procure na Web por assuntos como Shoutcast, Streamtuner e Live365. Isso tudo sem falar na onda dos podcasts, assunto pra mais tarde.
Sobre andar na linha e a distorção social
Assistindo neste fim-de-semana à “Johnny & June”, (Walk the Line, 2005, de James Mangold) lembrei de como eu gosto da banda americana Social Distortion. Em determinado momento desse ótimo filme, temos June Carter (futura senhora Johnny Winter, interpretada por Reese Whiterspoon, que ganhou o Oscar pela atuação), começando a composição de “Ring of Fire”. Pois essa é uma das minhas músicas preferidas do SocialD, e está no primeiro disco deles de 1990. Um grande filme, grandes interpretações, uma grande música, uma grande banda. Meu tributo dessa semana à cultura americana.

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Aliás, acessando o site oficial da banda , descobri que no dia do meu aniversário eles vão fazer um show em Mineapolis. Alguém gostaria de me mandar a passagem de presente?
Eu quero é novidade
3 acordes. E pra que mais?
Punk:Atitude. Esse é o nome do documentário que passou no GNT no último fim-de-semana. Sou suspeito pra falar porque considero o gênero o mais importante da música desde sempre. O que veio antes não me interessa muito e o que veio depois só aconteceu por causa daquela galera. E boa parte do pessoal que fez história tocando aqueles únicos acordes e, mais ainda, simplesmente transgredindo (transfressão, atitude, pensar que isso já teve relevância algum dia…), contribuem com depoimentos sobre o período. Achei interessante quando Henry Rollins disse que, se tivesse 17 anos, também adoraria Linkin’ Park: “tudo vai meio devagar até explodir num refrão esporrento…”. Fácil pra mim, que sou velho, simplesmente achar que Linlink’ Park é uma bomba e que não justifica o sucesso. Só que Linkin’ Park toca no rádio e é uma das poucas opções palpáveis pra quem tem 17 anos e não gosta dessa MPB horrorosa que anda por aí. E nem tem ídolos pra lembrar, flashbacks e tal. Só que no meio da década de 70 o pessoal também não gostava de rock progressivo, etc e tal, e simplesmente inventou um estilo que mudou a música jovem pra sempre. O que, infelizmente, é impensável hoje em dia.
Ao som de Buzzcocks – fallen in love
MiniDiscs – ainda uma boa opção
Apesar de deixarem de ser tão atraentes frente ao mp3 players que existem por aí, eu ainda considero os Mini Discs como uma boa opção para armazenamento de música/mídia portátil. Claro que a interação entre PC e MP3 player é imbatível em facilidades e ir contra isso não é possível: um i-Pod virou sonho de consumo de todo mundo pela sua beleza e funcionalidades. Mas eu ainda guardo com muito carinho os meus MDs, onde ainda hoje gravo ou CDs emprestados ou, vá lá, alugados. São 150 min. de música, mais ou menos, pouco perto de qualquer MP3 player por aí, mas muito mais fácil e rápido de extrair o som de um CD inteiro. Acho que minha coleção vai se tornar vintage, como meus vinis, mas sempre me trarão, como os bolachões, grandes lembranças. Sem contar que lá fora os lançamentos continuam a todo vapor, como pode ser comprovado no site Minidisco.com.
Ao som de Russian Futurists – paul simon
Keep Strong recomenda
Mais um serviço bacana rodando na Web: no site Pandora.com, você escolhe uma banda que vc gosta e começa a ouvir bandas que têm um som similar. Ao escolher por Bad Religion, por exemplo, o site selecionou nomes como NOFX, Pennywise, etc. Pena que só as primeiras 10 horas são pagas. Não experimentei fazer nenhuma ‘gambiarra’, tipo trocar o IP, limpar os cookies, etc. A qualidade do áudio não é lá essas coisas, mas é bem legal pra descobrir bandas novas com um som similar às que tocam o que a gente gosta. Vale uma visita.
Ao som de Ocean Colour Scene – the day we caught the train
Keep Strong Records
Eu tenho uma gravadora! Tem tanta música boa dando sopa por aí que eu resolvi montar um selo. Downloads autorizados e um pouco de saco pra montar umas capinhas (no Gimp, lógico), e pronto! São várias “coleções”, que eu pretendo mostrar aqui aos poucos. Meu amigo Robson deve estar se perguntando: “Em que volume estará a série Alternative Mind?”. Pois é, no vol. 18. E agora eu inovei: as fotos da capa são, quase sempre, de minha autoria.
E o Gimp, pra quem não sabe, é um editor de imagem open source que faz frente ao Photoshop. Você até perde alguns recursos, mas não precisa pagar 1000 reais por uma caixinha ou, o que é mais comum, encher os bolsos de algum coreano por aí.
Manifeste-se
Eu nunca fui muito de escrever para sites, para colunistas, manifestar opiniões nem para elogiar nem para criticar. Um pouco de preguiça, talvez. Mas sempre que eu escrevo vejo minhas palavras publicadas. A última foi para o Finatti, colunista da revista Dynamite que, na sua edição on-line, costuma misturar notícia relevante com estórias que só tem graça pra ele. Aí eu mandei um e-mail pra ele, que publicou na coluna:
CANTINHO DO LEITORFaz tempo que Zap’n’roll não publica aqui mensagens enviadas por nossos diletos leitores. Esta semana, porém, a coluna resolveu reproduzir abaixo o email mandado pelo leitor Alexandre Motta, da longínqua Manaus (nem tão longe assim, nestes tempos de internet), por julgar seus comentários (nem todos favoráveis à coluna) bastante oportunos. Vejam só:
“Hi boy
Bem, nunca escrevi pra Zap’n’roll, apesar de ler a coluna desde sempre. Partilhamos o mesmo (bom) gosto por música relevante, por cultura.
Confesso que fiquei um pouco surpreso ao ver, nas últimas colunas, menção ao Decemberists e ao site Pitchfork. Engraçado como o conhecimento se tornou tão fácil e palatável ao ponto de eu achar que um colunista que eu respeito parecia não conhecer um site que há anos trás ótima informação sobre a cena independente. Digo isso porque acompanho as matérias do Pitchfork há muito tempo e sempre ouvi ali coisas que eu acho que qualquer dia estarão por aí, mais e melhor divulgadas e fazendo a nossa alegria. Me dou à presunção de indicar, ainda, os ainda melhores insound.com e epitonic.com. E eu realmente vou achar muito cômico se vc não os conhecer. Fica a dica.
E leitor chato, pede. Mas não vou pedir CDs, nenhum mimo, nada. Nem quero entrar na inútil polêmica de que o Finatti é isso, ou o Finatti é aquilo. Meu amigo (posso?), você já se deu conta da relevância de fazer menção a questões políticas, sociais, ou ainda, pessoais na sua coluna? Acha mesmo que ali é o espaço para isso? Suas impressões sobre acontecimentos da vida pública do país e as estórias de seu passado ficariam, acho, mais bem colocadas em um site pessoal, um blog, sei lá. Eu não iria lá ler isso, mas degustaria sua coluna com ainda mais prazer se esses assuntos não estivessem misturados às coisas que eu realmente aprecio nelas.
Cara, seus leitores sabem muito bem que vc é contra ao download não-oficial e blah blah blah. Beleza, eu também! Então esqueçamos o Strokes e divulguemos o Koufax, o Goldrush, o Porstatatic, o … vamos divulgar esses sites já citados, com seus imperdíveis downloads autorizados, vamos fazer a galerinha, por exemplo, adotar software livre, uma bandeira que nunca vi levantada pela “galera do rock”, vamos iniciar uma campanha contra software pirata, contra “CD de camelô”, etc, etc. Ou vamos simplesmente falar do que interessa e deixar as pessoas agirem de acordo com as suas consciências, indicando caminhos, ok, mas não misturando as coisas.
É só um toque.
Keep Strong
Alexandre Motta – Manaus – AM
Sobre as observações do dileto leitor, a coluna tem a dizer o seguinte: quando citou o site pitchforkmedia.com em sua última edição, Zap’n’roll o fez por considerar que o site está hoje entre as principais fontes de informação para aqueles que buscam novidades sobre o rock alternativo mundial. O colunista já conhecia o site há tempos e estava apenas esperando a melhor oportunidade para citá-lo aqui, já que considera que nunca é tarde para dar uma dica bacana para seus leitores. Assim como também agradece a menção que Alexandre fez a outros sites e que futuramente poderão também ser indicados aqui como fonte de informação adicional para quem lê estas linhas virtuais semanais. Quanto aos assuntos “extra-musicais” abordados pela coluna (como o referendo sobre desarmamento ou mesmo as histórias pessoais do colunista), eles deverão continuar por aqui. Já se tornaram uma espécie de marca registrada do colunista, um exercício de estilo talvez, além de um compromisso pessoal de quem escreve este espaço para com temas sociais e políticos que julgamos relevantes. Claro, há quem goste disso e quem não goste (como é o caso de Alexandre) e aí está toda a graça do negócio. Afinal, estamos todos numa democracia onde cada um tem liberdade para se manifestar da forma que bem entender. Utilizando um clichê batidíssimo: o que seria do vermelho se todos gostassem do azul? Daqui, fica o caloroso abraço de Zap’n’roll ao Alexandre Motta.
Isso tá tudo aqui
Ao som de RadarPop, um podcast de cultura pop, ótimo. Sobre podcast falamos depois… Só posso dizer que pode ser a derrocada final das rádios como a conhecíamos. O que é uma ótima notícia (a não ser que vc tenha saco pra Cidades e Jovem Pan da vida).
Atitude
Nada mais me intriga atualmente. Eu tenho atitude? Eu sou um cara de atitude? Eu movo uma palha pra mudar o mundo (pra melhor)? Eu vivo as coisas que eu acredito? Eu tô ficando velho? Eu vi no MTV Awards Brasil uma apresentação do Titãs, ao vivo, com aquela música “em homenagem” aos políticos. Ao mesmo tempo que fiquei feliz de vê-los tocando algo relevante, me fiz uma pergunta: “Ué, deixaram de lado o “é preciso saber viver?”, disco novo sem baladinha? o que esses véios tão querendo agora? roubar público da Pitty? Eu já gostei desses caras? Véio por véio eu sou mais o Motorhead.
Ao som de Rancid – ruby soho








