Indiana Jones e a integridade

Eu sou tido como um cara do contra. O que gosta de filmes e música que ninguém conhece, o cara que só usa software livre e tal. Claro, nem todo mundo acha isso, eu não ligo pra isso e isso não é verdade (eu sou Flamengo, quer coisa mais popular?). Esse humilde blog começou no dia que eu vi a página do Dead Fish na internet, lançando disco novo. Toda feita em Flash. E eu arrumei uma inimizade com o cara que fez o site porque escrevi pra ele dizendo que punk não combinava com software proprietário. Pra mim, inocente e radical, isso era uma contradição. O tempo passou e fiquei mais na minha, não compro briga. Nevermind. Don’t give a fuck. Ouço minha música e tomo minha cerveja. E continuo observando tudo por aí.

Bem, e o Indiana Jones? Marcelo Janot, no Cultblog (sobre a programação do Telecine Cult), conta que na pre-estréia para a imprensa foi tratado tal e qual um terceiro-mundista: entrar na sala de exibição exigiu revista rigorosa, tratamento desrespeitoso por parte da distribuidora, etc. Então ele foi reclamar com uma amiga da Paramount. Então vê: “O tratamento humilhante imposto aos jornalistas brasileiros é, segundo as palavras dela, “ordem expressa da Lucas Film”. Ou seja, é a mesma linha de raciocínio utilizado pelos americanos para te revistar, esculachar ou até mesmo te deportar caso na hora de entrar nos Estados Unidos o funcionário da imigração não vá com a sua cara: até que seja provado o contrário, todos nós, cidadãos de terceiro mundo, somos terroristas e pirateadores de filmes em potencial. Que pena, George Lucas. Como alguém que sabe ganhar tanto dinheiro consegue adotar uma postura tão burra?”.

E agora? fico com a alegria que George Lucas já me proporcionou, ou fico com raiva em ler uma coisa dessas? Eu ainda nem vi o filme. Vou boicotar, deixando George Lucas 10 reais menos milionário? Ou vou comprar centenas de cópias nos camelôs e ajudar a destruir o império ianque?

Mais listas

De novo no Rotten Tomatoes: Os melhores scifi de todos os tempos. And the winners are:

  • 10 – Aliens (1986)
  • 9 – Star Wars (1987)
  • 8 – The Host (2007), filme coreano que eu não conheço
  • 7 – Children of Men (Filhos da esperança) – 2006
  • 6 – O Império contra-ataca (1980)
  • 5 – Minority Report – 2002
  • 4 – Alien – 1979
  • 3 – Metropolis (1926)
  • 2 – Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004)
  • 1 – E.T. (1982)

E aí, já prestigiou o cinema nacional hoje?

Um grupo (pequeno) de entendidos sempre citará Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha. Outro grupo, bem mais numeroso, ainda torce o nariz para as nossas produções. Eu, que não faço parte de nenhum desses grupos, fico feliz que O Céu de Suely tenha sido votado por alguém nessa lista de 20 melhores filmes brasileiros. Tudo bem que essas listas não servem pra nada, mas esse filme, do diretor Karin Ainouz, é mesmo muito bacana. Se onde você mora estiver frio como aqui em Porto Alegre, você vai pegar mais de um filme na locadora, certo? Então. Um blockbuster hollywoodiano e uma obra do novo cinema nacional como essa. E não te arrependerás.

suely

Simplificando sua vida

Quando termino de assistir a um filme e gosto muito do dito cujo, tenho o hábito de extrair do DVD o trailer ou alguma cena importante para guardar no meu HD. Claro que, do jeito que as coisas andam, em pouco tempo será comum guardar filmes inteiros no computador. Prática que não me sensibiliza muito, pelo menos por enquanto. Dos filmes que tenho em DVD, acho que o único que assisti mais de uma vez foi o maravilhoso Durval Discos. Então acho que seria desperdício de espaço (e já notaram que o preço dos PCs está caindo muito, mas o dos periféricos nem tanto? Um bom HD de 300 Gb ou mais não sai por menos de R$ 600,00 o que, proporcionalmente ao preço dos “computadores populares” é muito.)

Bem, voltando ao início … O post aqui é só pra dizer que a mais prática ferramenta pra extrair alguma parte de um DVD é o ótimo Thoggen. Confesso que ainda o usava o dvdshrink e o dvdrip que, para mim, têm funções demais e ainda andaram encrencando com o áudio. Mas o Thoggen veio pra mostrar mais uma vez que simplicidade e eficiência não são antônimos! apt get install nele!

Quadrinhos e cinema

Falando em listas … O Gibizada publicou essa, retirada do site Rotten Tomatoes, com as 94 melhores adaptações de quadrinhos para o cinema. Eu concordo quase que integralmente com a lista, principalmente por ver um dos meus filmes favoritos em terceiro lugar: Mundo Cão (Ghost World, 2001, de Terry Zwigoff), um sensacional filme sobre não querer envelhecer.

Os quinze primeiros colocados da lista são, pela ordem: Homem Aranha 2, Anti-herói americano, Mundo Cão, Homem Aranha, X-Men 2, Marcas da Violência, MIB, Batman Begins, Superman (1978), Metropolis, Estrada para a Perdição, Oldboy, Hellboy, Ghost in the shell e Sin City.

Eu sinto raiva o tempo todo

Dois filmes nauseantes em menos de uma semana. Que filme te dá nó no estômago? Bem, eu me sinto muito feliz quando sou confrontado. Eu preciso ter algum tipo de reação ao término de um filme. Irreversível , (do diretor Gaspar Noé, 2002) tem uma cena de estupro que é, no mínimo, repulsiva. Impossível não fechar os olhos e esperar passar aquele tormento. A belíssima Monica Belucci está maravilhosa, como sempre. Mas esa cena… Eu nem gostei tanto assim do filme, que vi outro dia no Telecine Cult, mas confesso que fiquei chocado com a cena do estupro. Exagerada, talvez. Mas você é obrigado a refletir. E isso é ótimo.

irreversivel

E Crash? Bem, esse é só um dos melhores filmes que eu já vi. O que é certo? Quem está errado? Tirando uns cruzamentos meio “novela-das-oito”, os personagens desse sensacional filme de Paul Haggis (roteirista de Menina de Ouro), vivem 24 horas numa Los Angeles que é não mais do que qualquer cidade grande por aí: tensa. E eu acho que não vou esquecer mais a cena da menininha. Que cena? Vai lá e confira. Vale muito a pena. Ah, e o título desse post é uma frase da Sandra Bullock em Crash.

crash

Sobre andar na linha e a distorção social

Assistindo neste fim-de-semana à “Johnny & June”, (Walk the Line, 2005, de James Mangold) lembrei de como eu gosto da banda americana Social Distortion. Em determinado momento desse ótimo filme, temos June Carter (futura senhora Johnny Winter, interpretada por Reese Whiterspoon, que ganhou o Oscar pela atuação), começando a composição de “Ring of Fire”. Pois essa é uma das minhas músicas preferidas do SocialD, e está no primeiro disco deles de 1990. Um grande filme, grandes interpretações, uma grande música, uma grande banda. Meu tributo dessa semana à cultura americana.

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Aliás, acessando o site oficial da banda , descobri que no dia do meu aniversário eles vão fazer um show em Mineapolis. Alguém gostaria de me mandar a passagem de presente?

Animações

Li outro dia que Toy Story é considerado o grande marco do cinema de animação. A partir daí foi até criada uma nova categoria no Oscar. Filmes sensacionais para adultos e crianças. Diversão garantida (alguém pode citar um ruim?). Gostaria de destacar aqui dois filmes que assisti recentemente e que, na minha opinião, não podem simplesmente ser colocados junto a “Os Incríveis” ou “Shrek”. Além da qualidade da animação, “As bicicletas de Belleville (Les Triplettes de Belleville, 2003, de Sylvain Chomet)” e “A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005, de Tim Burton)” têm algo de diferente. No primeiro eu me apaixonei pela velhinha obcecada em fazer do neto um campeão da “Tour de France”, um filme mudo, poucas cores, animação que seu filho não deve gostar e, no segundo, o grande destaque é que o mundo dos mortos é bem mais animado do que o mundo dos vivos! Arte feita em computadores. Pra ver e rever.

Keep Strong movies

Filmes nacionais. O que representam pra você? Eu continuo na minha árdua batalha de tentar mostrar ao mundo que muitos deles são, simplesmente, legais pra caramba. Dedique duas horinhas de diversão ao cinema nacional. Cobre da sua locadora os filmes independentes nacionais. Caso contrário, você vai perder filmes como O Outro Lado da Rua. Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar, lembra disso? Tá, eu também não dou a mínima pra isso, mas alguma coisa deve significar. Veja esse filme e descubra se ela realmente é isso tudo. Não vais se arrepender.

O caminho das nuvens

Sou um grande entusiasta do cinema nacional. Assisto qualquer velharia que passa no Canal Brasil. E, de Central do Brasil pra cá, tenho acompanhado de perto a produção nacional. Quase sempre ótimos filmes. Só continua o velho problema da distribuição, que impede que o grande público tenha acesso a filmes como esse, O Caminho das Nuvens, que tem tudo pra ser um sucesso muito maior do que aparentemente foi. Atores de novela, trilha de Roberto Carlos, etc. Não emplacou, infelizmente, mas fica a dica. Mais um grande exemplo do novo ótimo cinema nacional.

Clique para ir ao site bonitinho feito em flash

Capitão Sky e o mundo de amanhã

Ao assistir aos extras de Captain Sky and the world of tomorrow pude ver com maiores detalhes a inovação dessa produção: 100% das cenas foram filmadas em um estúdio montado num galpão (situado no “Vale do Pornô”, onde o aluguel foi mais em conta) diante de um fundo totalmente azul onde depois seriam inseridos os cenários totalmente desenhados por um dos irmãos que concebeu o filme. O diretor, Kerry Conran, fez um curta de poucos minutos, no computador de casa, e anos depois teve a sorte de contar com um produtor que gostou da idéia e, ainda, ter Jude Law e Gwyneth Paltrow em seu primeiro filme. Sorte a dele e a nossa, que pudemos ver um filme maneiríssimo.

Ao som de Charlatans – the only one I know. Caraca, que clássico!