Psicocandura

Tem coisas que eu gostaria de lembrar e não consigo e tem coisas que eu não quero esquecer jamais. Uma delas foi quando ouvi Just like honey, do The Jesus and Mary Chain, pela primeira vez. Há 30 anos atrás eu ainda não havia começado de forma tão veemente minha paixão pela música indie, o que aconteceria nos primeiros anos da década de 90, a melhor da história da música :-), mas aquela experiência radiofônica foi acachapante. Os tempos eram outros e só pude ter contato com o álbum Psychocandy alguns anos depois. Mas o estrago já estava feito.

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Ao longo dos anos a banda dos irmãos Reid esteve presente em vários momentos da minha vida. Seus três primeiros álbuns estarão sempre presentes em qualquer lista de melhores que eu consiga fazer. Head On (já tocada por Pixies e Legião Urbana), é uma das músicas que eu mais ouvi na vida. A banda passou pelo Brasil três vezes e eu não assisti a nenhuma, mas, sério, não acho que seja uma banda para ser ver ao vivo. Jesus & Mary Chain é banda para fones de ouvido.

Agora que os escoceses estão comemorando com turnê mundial os 30 anos de Psychocandy (existe uma bacana homenagem ao álbum feita pelo The Blog That Celebrates Itself, só com covers feitos por bandas brasileiras), nada como lembrar dois momentos inesquecíveis pra mim: a cena final de Lost in Translation e a linda Sometimes Always, que Jim Reid canta com sua então namorada, Hope Sandoval, vocalista do Mazzy Star, e que seria A música do meu longevo relacionamento amoroso 🙂

 

Quadradinhos

E lá fomos nós, pela primeira vez, conhecer o grande Festival Internacional de Quadrinhos, que acontece a cada dois anos na capital mineira e esse ano homenageou o recentemente falecido quadrinhista Antônio Cedraz. Muuuitas horas de ônibus e uma grande curiosidade em conhecer melhor o evento onde se reune toda a cambada apaixonada pela banda desenhada.

Antes uma pequena nota: cada vez tenho tido mais desilusão com as nossas capitais. Por morar em uma cidade pequena, estranho e me entristeço muito com algumas situações vividas nas grandes cidades desse país pelas quais ainda gosto tanto de passear, como BH. Principalmente com a quantidade de mendigos pelas ruas. Muitos, mas muitos mesmo. Que infelizmente já parecem desapercebidos pelos locais, mas que não escapam aos meus olhos curiosos que adoram o exercício de observar a vida atribulada e poluída dos grandes centros. Pobreza e tristeza.

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parede pra galera brincar à vontade

O FIQ 2015 tava muito cheio. Bombou mais do que esperava. A Serraria Souza Pinto é um local apropriado para o evento (mas tava MUITO quente lá dentro, os ventiladores não davam conta), e a organização foi ok, com pequenos contratempos admissíveis num evento gratuito. Valeu demais a oportunidade de conhecer grandes autores e ídolos como Marcatti e Gustavo Duarte, entre tantos outros. Os preços não estavam muito animadores, creio que as lojas e editoras perderam oportunidade de vender ainda mais.

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Interessante e crítico painel sobre o Pantanal

O mais bacana no evento é o téte-a-téte com os autores, notadamente os independentes. Todo mundo vendendo seu peixe, divulgando seu trabalho, vendendo lindos prints que você não encontra facilmente pra adquirir. Uma linda demonstração de ralação e paixão!

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Danielzinho, do Pipoca e Nanquim

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o grande Marcatti assinou pra mim

 

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autógrafo numa das melhores HQs dos últimos tempos no Brasil

Enfim, um fim-de-semana atípico, longe da família (questões financeiras :-(, de muita andança em BH e de muita satisfação em ver o movimento da galera: tinha cosplays, tinha Maurício de Souza em pessoa, tinha autores independentes de todo canto, tinha Marvel e DC, tinha mangás, tinha zines toscos e zines super esmerados, tinha tudão para quem gosta dessa viciante arte sequencial.

 

 

Flamengo e Vasco: polêmicas. Ou não

Vasco foi campeão do mundo vencendo o melhor Real Madrid de todos os tempos: polêmica
Flamengo teve seu título mundial reconhecido pela FIFA, que depois voltou atrás: polêmica
Vasco é bi-campeão da Libertadores: polêmica
Flamengo é hexa campeão brasileiro: polêmica
Geração de 80 do Flamengo só ganhou notoriedade por causa de vitórias conquistadas com auxílio da arbitragem: polêmica
Flamengo tem a maior torcida do Brasil por causa da Globo: polêmica
Vasco é o time com mais vices: polêmica

polêmicas, polêmicas, polêmicas, polêmicas

Vasco é bi-rebaixado no Campeonato Brasileiro: NENHUMA POLÊMICA

McCullin

“Suas fotografias são muito honestas, tão impetuosas e com tanto significado, não podemos correr o risco de você usar liberdade de expressão (…) Porque se importou em arriscar a sua vida pra dizer a verdade?” é o que pergunta em dado momento Harold Evans, editor chefe do Sunday Times por 14 anos, período em que foi o chefe do fotógrafo Don McCullin, que naquele momento deste excelente documentário disponivel Netflix (dica do Maurício Valladares), tinha sido preterido por outros jornalistas e não foi enviado para a Guerra das Malvinas. Isso no momento que o Clash entoa “This is England”. McCullin, como ele mesmo cita no filme, “viciado em guerras”, vai então para a Guerra do Líbano, onde mais uma vez tem contato com as atrocidades que o homem é capaz de cometer (e acaba sendo seu último trabalho do tipo, também motivado por encontrar crianças de dois anos, cegas, débeis e insanas internadas em condições desumanas em Beirute, em 1982).

A visão do soldado em choque, uma das premiadas imagens de Mc Cullin

A visão do soldado em choque, uma das premiadas imagens de Mc Cullin

As imagens captadas por McCullin serviram para que muitos americanos se colocassem contra a Guerra do Vietnã. As imagens incomodam, chocam, em muitos momentos do filme é preciso ter estômago forte.

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E hoje? Quem está documentando os horrores causados pelo Estado Islâmico? Não existem mais jornalistas corajosos como aquele britânico de origem humilde? Ninguém se choca mais com a guerra? No cenário atual seria impossível adentrar a realidade da guerra como fez Don? Assistir ao filme não vai responder a essas perguntas, mas vai mais uma vez nos fazer perguntar que porra de “humanidade” escrota é essa.

Traficantes de bolachas

O Record Store Day começou em 2007 com a ideia de celebrar a música “física”, vinis e CDs, com lançamentos independentes e uma celebração de toda gente envolvida nessa cena. Hoje é um dia aguardadíssimo pelos colecionadores, de vinil principalmente, tendo em vista os lançamentos exclusivos e de tiragem limitada que acontecem por causa da data.

muitos traficantes no Museu da Imagem e do Som em Sampa

muitos traficantes no Museu da Imagem e do Som em Sampa

No sábado 18 de abril, no Museu da Imagem e do Som, em SP, dia mundial do RSD, foi dado um pontapé para uma edição nacional do evento. Muita gente correndo atrás do bom e velho vinil. Muitas caixas de feira lotadas de música boa, lançamento de livro sobre a vida do Kid Vinil, shows de Rômulo Fróes e Bruno Souto, chopp Guiness caro e ruim, food truck, molecada arroz-de-festa, roots da velha guarda, enfim, aquela fauna louca das metrópoles. Eu, na qualidade de expectador reverente que tenho muitas das bolachas vendidas a preço de ouro lá, mas que nem ao menos possuo meu turntable 😦 atualmente, só posso torcer para que hajam mais e mais eventos como esse, afinal, como li numa tatoo por lá, “enquanto houver música, haverá esperança”.

Record Store Day

Record Store Day

Novas Tendências

Outro dia, aí embaixo, homenageei o grande Maurício Ronca-Ronca Valladares. Um cara que me deu um norte na vida. E o incrível é que hoje, dando uma olhada nas novidades do ronquinha, vi o Maurição reverberando a estreia do novo programa do José Roberto Mahr na Cidade FM. Como assim? José Roberto Mahr? Cidade FM? Que teletransporte é esse que me carrega de volta ao início dos 90, mais precisamente ao dia que fui ao estúdio da rádio conhecer o grande DJ e faturar a promoção que tava rolando, camisa e poster do filme dos Doors. Ali na minha frente o grande Zé Roberto que eu já acompanhava há muito na Flu FM, responsável pelo programa que fez minha cabeça por tanto tempo. Precisamente hoje estava lá com o PC ligado para acompanhar a estreia que, claro, não decepcionou: o homem já abriu com Tame Impala, já tocou Temples e Royal Blood, mostrando que a antena continua ligada nas novas tendências. Teve um Quasi pra relembrar os emblemáticos 90’s e nesse momento já tá, assim como fazia no século passado, tocando a sessão “rave-techno-electro-dançante”.

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Pô véio que viagem boa.

Um novo dia

New day rising é esperança. New day rising é vida. New day rising é barulho, é distorção, é reverb. New day rising é Husker Du. É Hart/Mould/Norton. New day rising é uma sensação indescritível, é punk, é hardcore, é indie, é noise. É açúcar para os meus ouvidos calejados de tanto lixo. New day rising está fazendo 30 anos. New day rising mudou minha vida. New day rising é absoluta e simplesmente foda pra caralho.

Quadradinho

Meu pai conta que ele, tricolor, ficava de cara quando eu, pirralhinho, apontava e sorria para os caras de vermelho e preto diante dos jogos na televisão: paixão rubro-negra. Amigo fissurado em carros e motos me mostrando suas revistas importadas e, com isso, fazendo brilhar meus olhos e criando uma paixão por motores. As ondas do dial no meu velho walkmen ecoando os programas Mack Twist e Novas Tendências na Fluminense FM, bagunçando meu sistema nervoso e me apontando um mundo incrível ante à mesmice então reinante: paixão pela música alternativa e, consequentemente, pelo cinema out hollywood. A despretensiosa compra de uma magrela de duas rodas para ir trabalhar que de repente me atiça ir cada vez mais longe e a minha paixão por pedalar. Um brinde com um amigo com uma cerveja belga presenteada e a descoberta de que havia muito mais a explorar naquele mundo maravilhosamente etílico que eu já vivia.

Eu lembro (claro) de toda essa velharia mas não sei bem onde exatamente começou minha paixão por quadrinhos, a maravilhosa arte sequencial desenhada. Mas é mais que sabido que “desde criança só lemos os quadrinhos nos jornais”

Ah, hoje é o dia do Quadrinho Nacional 🙂

Dia do Quadrinho Nacional

Dia do Quadrinho Nacional

Ronca Ronca

Esse post é uma singela homenagem ao programa Ronca Ronca, do DJ e fotógrafo Maurício Valladares. Hoje sendo reverberado pela Oi FM, o programa completa, na atual casa, 100 edições e nesse exato momento estou ouvindo a edição comemorativa, que está sendo feita com as listas, enviadas pelos ouvintes, das 20 músicas preferidas d’A Tripa, alcunha dos “seguidores” do grande Maurição, ativo nas ondas do dial desde sei lá quando. São 21:31 e está tocando “só” Fake Plastic Trees, do Radiohead (mas já tocou Nelson Cavaquinho, e essa é a graça do programa).

Se foi o Mack Twist da Fluminense FM que me ensinou a gostar de hardcore e rap, se foi o DJ José Roberto Mahr que me apresentou, também na Flu, o britpop, o trance, EBM, o indie enfim. Se Tom Leão, Rodrigo Lariú, os caras com quem troquei cartinhas cheia de flyers dentro (notadamente Rodrigo Dead Fish e Juninho White Frogs) foram caras importantes para a minha colação de grau no tal de rock’n’roll, posso dizer, sem dúvida, que foi o Ronquinha que me abriu os ouvidos para tudo, para tudo que é autêntico, casca-grossa, cabeleira-alta, inoxidável.

Por aqui minha mulher e meu filho já sabem de cor as vinhetas do programa (marca registrada), afinal o Ronca, agora disponibilizado em podcast, é praticamente o único som presente no carro: seja levando o filho a escola, seja numa viagem de quatro horas.

Obrigado Maurício, obrigado mesmo cara!

Link para o download do programa

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Maurição, foto do site Rock em Geral

Pólis

Aí, na boa: eu não ligo se você não se importa que o Aécio construiu um aeroporto nas terras da família e depois tacou fogo na prefeitura que continha provas. Que o PSDB não cumpriu seu papel estatal no governo de SP escondendo, por questões eleitoreiras que persistirão até segunda-feira, a gravíssima questão da água no estado. E também não ligo se você não se preocupa que o PT pode ficar 16 anos no poder, inchando a máquina pública e dando o peixe sem ensinar a pescar.

O que eu queria mesmo é que a política fosse capaz de melhorar o nível dos eleitores neste país. Dos eleitores: essa gente pentelha que me enche o saco com opiniões que eu não pedi. Que consegue votar no genial Marcelo Freixo (deputado estadual mais votado, sem UMA placa na rua) e em Bolsonaro (federal mais votado, disseminador de ódio).

Que chegue logo a segunda-feira e voltemos às nossas vidas. Essa que não desperta interesse NENHUM nesse bando que aí está – ou no que já esteve. Farinha do mesmo saco, mosca da mesma merda.

Reacionário e caretão

Hoje descobri que essa pequena maravilha psicodélica dos australianos incríveis do Tame Impala faz parte da trilha de uma série que a Globo está exibindo. Assim como aconteceu com uma outra belíssima música dos sumidos e não menos incríveis The XX numa outra série já terminada lá no mesmo canal. Mas aqui com meus botões fiquei pensando um tanto: antigamente, na pré-era da informação, o que ditava o que as pessoas ouviriam, gostariam, comprariam, consumiriam, era o que tocava no rádio, na novela, no filme. Você não tinha escolha, era o que tinha e pronto. Muita gente ruim e alguma gente boa fez sua estória nessa. Mas hoje não. Os tempos são outros, quem gostar dessa música pode aproximar seu smartphone do local onde está tocando o som, acionar o Musixmatch, e em segundos vai saber quem toca, qual é a música, ver a letra, conhecer a biografia da banda, ter os links para o vídeo, etc, etc. Mas a preguiça, ou a indolência, ou a pura má vontade, sei lá, pode fazer com que se diga apenas que esse troço de internet é um saco, é muito difícil, que música boa era a que tocava no rádio, etc e tal.

Foda-se. O problema é seu.

Amor e fúria

Sério, “Uma história de amor e fúria” é um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos e merece todos os muitos prêmios que recebeu. Grande história, grande trilha sonora, uma baita produção brasileira sobre viver tomando na cabeça, sobre lutar por alguma coisa, sobre viver em combate, sobre atravessar os tempos brigando pelo que você acha certo. Nada de vencer, lutar apenas.

“Meus heróis não viraram estátua, morreram lutando contra aqueles que viraram”

De clicar e pedalar

E não poderia deixar de lembrar que hoje, 19 de agosto, é o Dia Mundial da Fotografia e o Dia Nacional do Ciclista. Duas paixões por aqui. Minhas últimas explorações ciclísticas pelos arredores de Resende têm rendido grande visuais, mas ainda não sei como inserir a fotografia nesse contexto. Acho que prefiro deixar as belas imagens das manhãs de domingo na minha cabeça. Mas fica o registro: duas formas completamente diferentes e igualmente apaixonantes de viver a vida.

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Registro do meu Flickr

Deutschland

Escrevo essas mirradas antes da semifinal entre BRA e GER, já que nada falei por aqui da Copinha do Blatter (by Maurício Ronca-Ronca). Tenho comigo que um cara que é tão apaixonado por um clube não liga muito pra Seleção Brasileira. Os malucos que tatuam escudos tão nem aí pra Copa do Mundo. Mas no momento quero saudar os germânicos:

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Ou seja, haja o que houver eu tô na moral!