Mártir de nada

Enquanto nós estamos aqui, diante de nossos computadores, celulares e tablets, nos entupindo de informação inócua, achincalhando gente como a gente, compartilhando um monte de piadinhas sem graça, babando com coisas que nunca teremos, uma senhora boliviana, que largou sua miserável aldeia para trabalhar 14 horas por dia em um fétido quarto na maior metrópole de um país escroto, mas menos escroto que o dela, resolve voltar para casa. O motivo: os malucões, mermão, querem grana, precisam cheirar, precisam de Nike Shox, querem i-isso e i-aquilo, querem aquela vida bandida que uns adoram endeusar, funkear, american-style para o Esquenta. Nem que para isso um moleque de 5 anos com cara de índio, pobre e fudido, tenha que levar um tiro no meio da testa. Deus terá misericórdia dirão uns. Deus não existe dirão outros (eu!). Domingo tem jogo, férias de julho, vida que segue. Os pais do tal moleque, agora um cadáver, resolvem voltar para a sua aldeia, no país que cultiva em cada quintal aquele pó branco que os preiba precisa muito, nem que para isso …

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