Psicocandura

Tem coisas que eu gostaria de lembrar e não consigo e tem coisas que eu não quero esquecer jamais. Uma delas foi quando ouvi Just like honey, do The Jesus and Mary Chain, pela primeira vez. Há 30 anos atrás eu ainda não havia começado de forma tão veemente minha paixão pela música indie, o que aconteceria nos primeiros anos da década de 90, a melhor da história da música :-), mas aquela experiência radiofônica foi acachapante. Os tempos eram outros e só pude ter contato com o álbum Psychocandy alguns anos depois. Mas o estrago já estava feito.

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Ao longo dos anos a banda dos irmãos Reid esteve presente em vários momentos da minha vida. Seus três primeiros álbuns estarão sempre presentes em qualquer lista de melhores que eu consiga fazer. Head On (já tocada por Pixies e Legião Urbana), é uma das músicas que eu mais ouvi na vida. A banda passou pelo Brasil três vezes e eu não assisti a nenhuma, mas, sério, não acho que seja uma banda para ser ver ao vivo. Jesus & Mary Chain é banda para fones de ouvido.

Agora que os escoceses estão comemorando com turnê mundial os 30 anos de Psychocandy (existe uma bacana homenagem ao álbum feita pelo The Blog That Celebrates Itself, só com covers feitos por bandas brasileiras), nada como lembrar dois momentos inesquecíveis pra mim: a cena final de Lost in Translation e a linda Sometimes Always, que Jim Reid canta com sua então namorada, Hope Sandoval, vocalista do Mazzy Star, e que seria A música do meu longevo relacionamento amoroso 🙂

 

Traficantes de bolachas

O Record Store Day começou em 2007 com a ideia de celebrar a música “física”, vinis e CDs, com lançamentos independentes e uma celebração de toda gente envolvida nessa cena. Hoje é um dia aguardadíssimo pelos colecionadores, de vinil principalmente, tendo em vista os lançamentos exclusivos e de tiragem limitada que acontecem por causa da data.

muitos traficantes no Museu da Imagem e do Som em Sampa

muitos traficantes no Museu da Imagem e do Som em Sampa

No sábado 18 de abril, no Museu da Imagem e do Som, em SP, dia mundial do RSD, foi dado um pontapé para uma edição nacional do evento. Muita gente correndo atrás do bom e velho vinil. Muitas caixas de feira lotadas de música boa, lançamento de livro sobre a vida do Kid Vinil, shows de Rômulo Fróes e Bruno Souto, chopp Guiness caro e ruim, food truck, molecada arroz-de-festa, roots da velha guarda, enfim, aquela fauna louca das metrópoles. Eu, na qualidade de expectador reverente que tenho muitas das bolachas vendidas a preço de ouro lá, mas que nem ao menos possuo meu turntable 😦 atualmente, só posso torcer para que hajam mais e mais eventos como esse, afinal, como li numa tatoo por lá, “enquanto houver música, haverá esperança”.

Record Store Day

Record Store Day

Novas Tendências

Outro dia, aí embaixo, homenageei o grande Maurício Ronca-Ronca Valladares. Um cara que me deu um norte na vida. E o incrível é que hoje, dando uma olhada nas novidades do ronquinha, vi o Maurição reverberando a estreia do novo programa do José Roberto Mahr na Cidade FM. Como assim? José Roberto Mahr? Cidade FM? Que teletransporte é esse que me carrega de volta ao início dos 90, mais precisamente ao dia que fui ao estúdio da rádio conhecer o grande DJ e faturar a promoção que tava rolando, camisa e poster do filme dos Doors. Ali na minha frente o grande Zé Roberto que eu já acompanhava há muito na Flu FM, responsável pelo programa que fez minha cabeça por tanto tempo. Precisamente hoje estava lá com o PC ligado para acompanhar a estreia que, claro, não decepcionou: o homem já abriu com Tame Impala, já tocou Temples e Royal Blood, mostrando que a antena continua ligada nas novas tendências. Teve um Quasi pra relembrar os emblemáticos 90’s e nesse momento já tá, assim como fazia no século passado, tocando a sessão “rave-techno-electro-dançante”.

zerodb

Pô véio que viagem boa.

Um novo dia

New day rising é esperança. New day rising é vida. New day rising é barulho, é distorção, é reverb. New day rising é Husker Du. É Hart/Mould/Norton. New day rising é uma sensação indescritível, é punk, é hardcore, é indie, é noise. É açúcar para os meus ouvidos calejados de tanto lixo. New day rising está fazendo 30 anos. New day rising mudou minha vida. New day rising é absoluta e simplesmente foda pra caralho.

Ronca Ronca

Esse post é uma singela homenagem ao programa Ronca Ronca, do DJ e fotógrafo Maurício Valladares. Hoje sendo reverberado pela Oi FM, o programa completa, na atual casa, 100 edições e nesse exato momento estou ouvindo a edição comemorativa, que está sendo feita com as listas, enviadas pelos ouvintes, das 20 músicas preferidas d’A Tripa, alcunha dos “seguidores” do grande Maurição, ativo nas ondas do dial desde sei lá quando. São 21:31 e está tocando “só” Fake Plastic Trees, do Radiohead (mas já tocou Nelson Cavaquinho, e essa é a graça do programa).

Se foi o Mack Twist da Fluminense FM que me ensinou a gostar de hardcore e rap, se foi o DJ José Roberto Mahr que me apresentou, também na Flu, o britpop, o trance, EBM, o indie enfim. Se Tom Leão, Rodrigo Lariú, os caras com quem troquei cartinhas cheia de flyers dentro (notadamente Rodrigo Dead Fish e Juninho White Frogs) foram caras importantes para a minha colação de grau no tal de rock’n’roll, posso dizer, sem dúvida, que foi o Ronquinha que me abriu os ouvidos para tudo, para tudo que é autêntico, casca-grossa, cabeleira-alta, inoxidável.

Por aqui minha mulher e meu filho já sabem de cor as vinhetas do programa (marca registrada), afinal o Ronca, agora disponibilizado em podcast, é praticamente o único som presente no carro: seja levando o filho a escola, seja numa viagem de quatro horas.

Obrigado Maurício, obrigado mesmo cara!

Link para o download do programa

mauval

Maurição, foto do site Rock em Geral

Reacionário e caretão

Hoje descobri que essa pequena maravilha psicodélica dos australianos incríveis do Tame Impala faz parte da trilha de uma série que a Globo está exibindo. Assim como aconteceu com uma outra belíssima música dos sumidos e não menos incríveis The XX numa outra série já terminada lá no mesmo canal. Mas aqui com meus botões fiquei pensando um tanto: antigamente, na pré-era da informação, o que ditava o que as pessoas ouviriam, gostariam, comprariam, consumiriam, era o que tocava no rádio, na novela, no filme. Você não tinha escolha, era o que tinha e pronto. Muita gente ruim e alguma gente boa fez sua estória nessa. Mas hoje não. Os tempos são outros, quem gostar dessa música pode aproximar seu smartphone do local onde está tocando o som, acionar o Musixmatch, e em segundos vai saber quem toca, qual é a música, ver a letra, conhecer a biografia da banda, ter os links para o vídeo, etc, etc. Mas a preguiça, ou a indolência, ou a pura má vontade, sei lá, pode fazer com que se diga apenas que esse troço de internet é um saco, é muito difícil, que música boa era a que tocava no rádio, etc e tal.

Foda-se. O problema é seu.

I just wanna stay alive

Eu não tenho nenhuma dúvida em afirmar que assistir essa música do Killing Chainsaw, no BHRIF (Belo Horizonte Rock Independent Fest), ao lado de meu grande amigo Jorge André, em 1994, foi uma das mais transcendentais e inesquecíveis experiências de minha vida. Eu não sei quem eu sou hoje, não sei quem eu era naquele ano, só me lembro de entrar num supermercado imundo ao lado da rodoviária pra comprar um quilo de alimento não perecível e entrar naquele lugar pra ver o Fugazi, que eu mal conhecia e hoje venero. Que eu morra com esse riff me atazanando o cérebro.

A cura para todos os males

Naquela zapeada da preguiça pela TV me deparei hoje com o documentário “A vida até parece uma festa” que conta a trajetória dos Titãs, sem dúvida uma das maiores bandas brasileiras e das que me motivou a gostar de rock. O filme é bem antigo, achei até meio fraquinho, a banda merecia mais, quem sabe ainda role, mas bateu aquela ótima nostalgia. Ótimas lembranças. Quantos shows desses caras eu já assisti, bebaço, com os parceiros, em roubadas, enfim, vivendo meus 80’s/90’s.

Daí que quando ligo o computador, ainda naquela vibe nostálgica, vejo que no Record Store Day desse ano saiu o vinil de Just Like Heaven, uma das melhores músicas de todos os tempos, com o Cure de um lado e a versão torta e linda do maravilhoso Dinosaur Jr de outro.

Homem não chora é o caralho.

Tenho coração

Nunca entendi bem essa gente straight edge. Qual é a desses caras que tocam um puta hardcore, mas não bebem nem uma cervejinha? 🙂 Mas guardo com carinho meus CDs do Self Conviction, do Point of No Return, meu cartaz do Verdurada. E hoje, naquela passada pelo sempre fantástico Hangover Heart Attack, me deparo com esse Have Heart, apenas mais uma banda maneira de hardcore certinho (a galera conversando na boa com o policial em cima do palco é demais!). Good vibes total!!

Voice over

O programa mais incensado no momento na moribunda TV nacional é o tal de The Voice, nada além de mais uma versão de um programa de sucesso em TVs de outros países. Um programa de calouros chique, com muita produção pra esconder a mediocridade. Mas o que me incomoda demais é o fato dos “artistas” apenas regurgitarem pela enésima vez o remexido baú de sucessos (…) do passado. Nada de novo. Não vivi a época dos Festivais Internacionais de Música, mas as tretas com o governo na época foram um marco na música nacional. E que caberiam muito bem hoje, já que estamos, teoricamente, lutando por direitos (alguns deles novos). Que tal um Festival de “novos cantores”, que apresentasse algo realmente novo? Boas músicas novas, é pedir demais?

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