Grande parte das cidades turísiticas da Europa estão sofrendo com o excesso de visitantes e tomando medidas para que essa prática não se torne predatória e afete a vida dos cidadãos. Ser um turista tradicional, carregado de todos os estereótipos desta prática, não combina comigo. O euro está valendo quase 7 reais e nessas grandes cidades turísticas o custo de vida é ainda mais alto. Por que, então, viajar para Madrid e Barcelona? Porque existem várias outras nuances e se a oportunidade aparece, se a vontade supera … Por precaução ou por velhice, tudo reservado com antecedência, e até impresso, pra garantir. Vamos!
5 de maio, segunda: de carro de Juiz de Fora até o aeroporto do Galeão para lá deixar o carro estacionado até a volta, uma semana depois: uma das várias comodidades recentes que realmente tem ótimo custo-benefício. Chegar e sair de qualquer aeroporto continua sendo um problema em todo lugar e poder usufruir da tranquilidade desse benefício, pelo menos no nosso país, já é uma grande ajdua. A diária saiu por uma média de 70 reais. O primeiro trecho do vôo, Rio – Roma pela Ita Airways, foi tranquilo e sem atrasos. Cadeira desconfortável e que reclina pouco, mas com bom espaço para as pernas. Atrações na telinha pouco interessantes para mim. Alguns bons filmes, mas quase nada com legenda em português. Levei o tablet mas … esqueci de baixar filmes, então o negócio é dormir. O aeroporto de Roma é gigante mas a conexão foi corrida. O trecho Roma – Madrid também foi calmo, apesar do vôo muito cheio e aeronave apertada.
6 de maio, terça: Chegar no destino já com internet no celular é fundamental. Um plano contratado ainda no Brasil, com dados ilimitados por uma semana, foi o suficiente. Minha esposa e eu compartilhamos a mesma conexão e não ficamos offline em nenhum momento. Do aeroporto de Barajas até o centro de Madrid a melhor opção é o ônibus. 5 euros, menos de meia-hora até a Praça Cibeles, no coração da cidade. Carregando duas mochilas bem pesadas nas costas, mas só elas, não foi tão fácil achar o caminho a pé até a hospedagem. Legal que já descendo do ônibus, encontramos uma feira de livros usados. Dia lindo, feirinha de livros, estou na Europa. Cool!


As mochilas estavam já incomodando, mas conseguimos deixá-las na hospedagem antes do checkin, após contato com o proprietário. Chegar no local enquanto estava sendo realizada a faxina é bem anticlímax, mas aliviar o peso pra começar a bater perna foi muito bom. São muitos prédios antigos, históricos, bonitos. Vai-se passeando e girando o pescoço, feliz da vida. O grande destaque do primeiro dia foi sem dúvida a Catedral de La Almudena, linda. Altar e corredores em forma de cruz, como em Aparecida do Norte, pé direito altíssimo, lindas imagens. Ao lado, o gigantesco Palácio Real de Madrid (entrada paga, declinamos). Na parte externa, enormes espaços, tuktuks elétricos, um artista de rua cantando em bom português. Caminhamos em direção ao Mercado San Miguel, bonito, badalado, cheio, caro. Vale a visita, não nos instigou a matar a fome. Opção mais barata é a Praça Mayor, com vários restaurantes. O visual estava comprometido pela montagem de um palanque para comemorações das festas de San Izidro, mas foi possível descansar, comer uma tapa e beber uma sangria e uma cerveja. Cansados e com frio, passamos na imprescindível Chocolateria San Ginés. Ótimo churros com chocolate. Voltamos pra casa, via Calle Mayor e Puerta del Sol. A noite demora a chegar e mais e mais pessoas vão enchendo as ruas.
7 de maio, quarta: dia reservado ao Museo do Prado, talvez o principal motivo da viagem. Nunca me pretendi um especialista em arte, mas bastou um período de História da Arte no meu curso de Ciências Sociais para aguçar a curiosidade de estar de frente para aquelas obras históricas e ter a oportunidade de visualizar detalhes que a professora Célia contava com tanta paixão. No caminho, Gran Via, Banco de Espanha e Museu Thyssen-Bornemisza. O Museu do Prado é enorme, corredores infindáveis, turistas de todo mundo, grupos de crianças com suas professoras. Aliás, crianças e adolescentes andando em bando em Madrid foi algo que me chamou atenção. E muita arte, banho de cultura, você não absorve tudo, as pernas reclamam. Um café, um íma de geladeira adquirido e lá vamos nós. Conhecemos também só por fora o Jardim Botânico e o Museu Reina Sofia. Tomamos uma cerveja no Mercado Antón Martin, pequeno e simpático. Mais andanças e repetimos a dose na Plaza Mayor (mais tapas) e San Guinés (mais doce).


8 de maio, quinta: A ideia inicial era ir a Toledo. Fácil de chegar, tanto de ônibus quanto de trem, antiga capital da Espanha e patrimônio mundial. Mas havia muito o que ver ainda em Madrid. Fica pra próxima.
Descer a Gran Via em direção a Plaza da España é observar uma Madrid mais comum: lojas, bancas, teatros (muitos), gente. Na praça estava acontecendo a La Hispanoamericana, uma feirinha com barracas de comida de vários países. Com tempo feio, andamos até o Templo de Debod e arredores, lindos e floridos. Não havia mais entradas para o Templo, mas conhecê-lo por fora já é bem bacana.
Não fosse a chuvinha chata creio que não iríamos ao Santiago Bernabéu, o estádio do Real Madrid. Mas não dava pra ficar andando na chuva, embora tenhamos até comprado um guarda-chuva por 5 euros. Decidimos pegar o metrô, bilhetes individuais pagáveis com cartão em uma máquina, e fomos lá conhecer a história do clube. Entradas adquiridas na hora, pela internet, e a oportunidade única para quem gosta de futebol. Não é o tipo de futebol que me atrai tanto, e talvez por isso tenha achado o tour pelo museu um pouco frio como, aliás, a torcida do clube é atualmente taxada. Mas a história vencedora do clube e de seus muitos craques está toda lá, em detalhes.



Voltamos pelo mesmo caminho, pensando naquelas barraquinhas da Praça de Espanha e lá aterramos, após passar pelo belo Portal de Toledo. Não comemos nada, mas não resisti a tomar um fernet com coca, bebida típica dos bebuns argentinos. Ruim mas bom. Mais caminhos, uma foto com a guitarra do Scott Ian do Anthrax na Hard Rock e jantar. Hora de arrumar as malas para Barcelona.
9 de maio, sexta: um Uber pra garantir e não correr riscos quanto ao horário, e em 10 minutos estamos na Estação Puerta de Atocha para o embarque para Barcelona. As passagens, caras, de trem bala, foram adquiridas ainda no Brasil. Uma viagem direta, agradável, sem problemas. O trem chega a atingir 300 km/h, tem lanchonete, e a viagem é bem mais confortável do que de avião. Em pouco mais de duas horas estamos na Estação Sants, na capital da Catalunha. A ideia era passear um pouco, mesmo com as mochilas pesadas, até a hora do checkin, desta feita em um hotel.
A Plaza de Catalunha estava em obras como, aliás, muita coisa em Barcelona e, para chegar no Museu de Ciências Naturais, que ficaria no meio do caminho entre a estação e o hotel, tivemos que desviar e, pior, subir muitas escadas. Mais um museu lindo, com uma bela visão da cidade. Fica numa parte alta da cidade, que voltaríamos de ônibus, com muito verde e belas paisagens. Recorremos a um taxi, que chamamos pelo Uber (no famoso aplicativo dá até pra alugar patinete elétrica) e fomos para o hotel aliviar o peso. Deixamos as mochilas e partimos a pé para o centrão, avenidas largas e planas, bem diferente da capital.


La Rambla é a avenida, La Boqueria é a feira: destino inevitável, está tudo ali. La Rambla estava em obras, nada que atrapalhasse o imenso fluxo de pessoas (turistas). La Boqueria é um mercado grande, bonito, pitoresco, caro, pega turista. Almoçamos um bom arroz negro com lula, pela experiência valeu, e compramos chocolates que estão ali só pra impressionar, não valeu, não mesmo. Voltando à Rambla, que termina no porto da cidade. Mar, teleférico, shopping. Início de primavera com sol já quente, branquelos saindo da casca. Um monte de prédios lindos e seculares.

Estamos na Europa, tudo aqui já era velho antes desse povo daqui mesmo invadir nosso continente (tá, isso é outra conversa). Pra terminar o dia, tapa com chopp. Louco que ao comprar uma cerveja pra levar para o hotel, algo de que não abro mão, sempre que possível, me senti comprando drogas. Como já passava das 10 da noite, o vendedor insistiu, de modo pouco educado, para que eu escondesse as latinhas. Enfim, a Mahou, ordinária cerveza española, desceu ainda mais saborosa.



10 de maio, sábado: A Sagrada Família é um cartão postal mundial e seria a prioridade para o segundo dia em Barcelona. Como era impraticável ir a pé e as tarifas de táxi estavam muito caras, restava o transporte público. Mas surgiu a ideia, dado o pouco tempo, a praticidade, o cansaço e a tarifa razoável, do ônibus turístico, que funciona como em Curitiba, por exemplo. Você pode entrar e sair em qualquer parada durante 24 horas e, claro, todos os pontos turísticos são contemplados no trajeto. E foi assim que chegamos na belíssima Catedral. Outro ponto que pesou na escolha do ônibus turístico é que já sabíamos que não seria possível conhecê-la por dentro. O tour previamente contratado foi cancelado dois dias antes e nova tentativa de comprar os ingressos não deu certo. Bem chato, é sabido que os vitrais de Gaudí são incríveis. Por fora, muita gente (mas muita mesmo) turistando. O visual é impressionante é só aguça a vontade de conhecer o interior.

Voltando ao ônibus, o passeio agradável continua. Barcelona tem um parte nova, com suas avenidas largas e prédios altos e modernos, e uma parte alta que, inclusive, passa pelo já visitado Museu de Arte da Catalunha. Lembra que na véspera subimos muitas escadas? Pois é. Já no início da noite descemos na famosa Passeig de Gràcia, tão famosa quanto a Champs-Elysée ou 5ª Avenida. Luxo. Lojas de grife mundial com gente na fila do lado de fora. É, eu também não entendo. Da avenida, onde ficam duas das obras mais significativas de Gaudí, seguimos a pé para o hotel, não sem antes comer um hamburgão e beber cerveja e sangria. Uma taça de cerveja tão grande que nem foi preciso me arriscar de novo na lojinha daquele vendedor estressado.
11 de maio, domingo: A volta para Madrid estava programada só para o início da noite e, como ainda podíamos andar no ônibus turísitico, fomos nele até a praia. Domingão de sol na Barceloneta e outras praias próximas. Muita caminhada e ótima vibe, veleiros, teleférico. A pé voltamos para o hotel passando novamente pela Rambla lotada. Passo acelerado e algum estresse com o táxi para a estação, já que o Uber não completava a chamada. Foi necessário usar o aplicativo da minha esposa, e nele o cartão cadastrado era brasileiro (no meu, troquei o cartão para o Wise, o que é uma dica importante). Resultado: uma corrida de 10 minutos que nos custou 120 reais … Mais uma viagem de trem super tranquila, deixando pra trás o maior clássico do futebol espanhol que rolava no Olímpico, já que o estádio do Barça, como pudemos ver, estava totalmente em obras. Da estação em Madri, mais uma caminhada pela animada noite madrilenha até o AirBnB localizado bem no centro, próximo à movimentadíssima Estação Sol. Jantamos uma tapa (batata brava, brava demais pro meu gosto), ocasião em que vou lembrar do torcedor do Napoli, empolgado vendo o jogo no celular. Também gosto demais do time napolitano, que empatou esse jogo, mas foi campeão ao final da temporada.
12 de maio, segunda: Antes do deslocamento para o aeroporto (tranquilo, ônibus urbano), ainda deu pra caçar umas lembrancinhas e se despedir da capital espanhola. O vôo para Roma atrasou e o embarque na Itália para o Rio foi na correria. Avião vazio, viagem chata, fuso horário. Estamos de vuelta, Brasil.














































