Não Religião

Devorei em cinco ou seis agradáveis jornadas o ótimo Crônicas de Jerusalém, do quadrinhista canadense Guy Delisle. Mais de 300 páginas de divertidos causos vividos pelo autor enquanto sua esposa trabalhava para o Médicos Sem Fronteiras. Com humor, ironia e sem nenhuma pentelhação religiosa o autor e seus traços simples contam o ano vivido em Israel e as loucuras daquele mundo: os muros, os checkpoints, os soldados, os dogmas, a violência. Tudo enquanto cuida dos dois filhos e tenta se adaptar àquele mundo tão louco.

cronicas

Em determinada passagem, ao visitar um bairro ortodoxo, o autor comenta sobre um depósito especial que existe (tipo uma lixeira, mas muito limpa), para depositar livros sagrados que não são mais usados e serão enterrados em um ritual específico. Detalhe observado pelo autor, que associei à nossa cerimônia de queima de bandeiras brasileiras inservíveis: existe uma Lei de 1971 que obriga que isso seja feito com todo protocolo, a cada 19 de novembro, o que não é mais ensinado a ninguém.

Mas depois de associar aquela simples passagem a tanto “pode-não-pode”, restrições, absurdos, barreiras e ao radicalismo descabido ali narrado, fico me perguntando se deveríamos mesmo e, se sim, como fazer essa “volta à moral e cívica”. Aonde termina o patriotismo pueril e começa o nacionalismo exacerbado misturado e influenciado por crenças, e que culmina em morte?

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