Sobre reis

Quem me conhece um pouco melhor sabe da minha posição, sempre mal compreendida, sobre ídolos. Eu não acredito nisso, eu não gosto disso. Pessoas são de carne, osso e erros. Idolatria é fraqueza, ponto. “E Zico, é seu ídolo?” Claro. O homem também é contradição … Meu clube de coração é o que é por causa dele. Sua conduta dentro e fora de campo sempre foram irrepreensíveis. Ele tem estátua em dois clubes diferentes no mundo (alguém mais?) Sua máxima exposição agora que completa 60 anos talvez faça com alguns moleques conheçam melhor o cara. O grande cara. Meu ídolo. Sem idolatria.

zico

Tu serás um homem, ó meu filho

Arrepiante

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

por Rudyard Kipling, via Papo de Homem

“Um marco trágico do nosso tempo”

aaron

“Eu cresci e através de um lento processo percebi que o discurso de que nada pode ser mudado e que as coisas são naturalmente como são é falso. Elas não são naturais. As coisas podem ser mudadas.”

“poucas pessoas traduziram tão bem a época em que nós estamos vivemos quanto Aaron Swartz” (…) “isso faz com que possamos pensar que sua morte é também, simbolicamente, um fracasso da geração a qual pertenço…”

“Já não é um tanto estúpido pensar em mundo real/mundo virtual como oposições? Criticar o “ativismo de sofá” dos mais jovens, menosprezando as ações na rede, não seria má fé ou ignorância? Talvez, como pais e adultos desse tempo, parte de nós tenha apenas medo e vergonha daquilo que não compreende.”

“Aaron não era apenas um gênio da internet, ainda que essa palavra “gênio” já tenha sido tão abusada. Talvez o maior ato político de Aaron tenha sido o que fez com seu talento. Ele usou-o para lutar pelo acesso livre ao conhecimento, via internet. Isso, em si, já o tornaria perigoso para muitos.”

Então, é isso. Ele nos deixou sozinhos no mundo que legamos à sua geração. Entre os tantos feitos admiráveis deixados por Aaron em sua curta trajetória, ao morrer ele deixou também um outro legado: a denúncia do nosso fracasso.”

Leia o artigo de Eliane Brum, na íntegra, no site da Época

É foda

“Alguns falarão da barriga branca. Da careca. Guitarra de plástico e “microfone-taco-de-baseball”. Alheio a críticas, só posso dizer que esse baixinho é o amor da minha vida. E que, graças a sei lá quem, trata-se de um momento só nosso. Que eu resolvi compartilhar, para que as pessoas saibam o que significa alegria.”

Perrosky

Só hoje parei com calma pra ver o lineup do Lollapalooza Brasil (29 a 31 de março, em SP). Black Keys? Ótimo hein? Queens of the Stone Age, uma das melhores bandas que eu já ouvi, incrível! Hives de volta (assisti em PoA), com bom trabalho novo e mais um monte de gente boa ali no meio. Mas, ei, que é aquilo lá na última linha? Perrosky???? Aquele bandinha que eu assisti no Sesc Thermas aqui em Prudente (o túmulo do rock, diga-se), há coisa de um ano? Que eu gostei tanto que até comprei uma camiseta? Ha, muito maneira essa, vibrei.