O mundo nunca foi tão bom

“… as maiores atrocidades da história não foram de responsabilidade de sociopatas ou fanáticos, mas de pessoas comuns que se deixaram levar por líderes carismáticos”

“Durante toda a minha carreira, tentei derrubar essa falácia de que a mente é uma tábula rasa e de que qualquer traço humano é fruto do meio em que ele vive ou é moldado pelas instituições sociais.”

“O processo civilizatório, com o advento do estado, a institucionalização da Justiça, a difusão e o aprimoramento da cultura, permitiu que os anjos derrotassem os demônios. Foi o que livrou a espécie humana da barbárie”

Nessa entrevista de Steven Pinker para a Veja, o professor de psicologia de Harvard prova que o mundo hoje é menos violento que outrora. Opinião que sempre compartilhei e que não se trata de otimismo besta: nossa consciência vai nos levar a um lugar melhor. É o homem que está traçando seu caminho e não forças ocultas que ele, homem, não conhece.

Sobre reis

Quem me conhece um pouco melhor sabe da minha posição, sempre mal compreendida, sobre ídolos. Eu não acredito nisso, eu não gosto disso. Pessoas são de carne, osso e erros. Idolatria é fraqueza, ponto. “E Zico, é seu ídolo?” Claro. O homem também é contradição … Meu clube de coração é o que é por causa dele. Sua conduta dentro e fora de campo sempre foram irrepreensíveis. Ele tem estátua em dois clubes diferentes no mundo (alguém mais?) Sua máxima exposição agora que completa 60 anos talvez faça com alguns moleques conheçam melhor o cara. O grande cara. Meu ídolo. Sem idolatria.

zico

Tu serás um homem, ó meu filho

Arrepiante

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

por Rudyard Kipling, via Papo de Homem